Opositor russo diz que enfrenta novo processo criminal e pode pegar até mais 15 anos de prisão

O opositor russo Alexei Navalny disse nesta terça-feira que foi acusado em um novo processo criminal e pode pegar até mais 15 anos de prisão se for considerado culpado. Detido desde o ano passado, ele anunciou em suas redes sociais, ter sido acusado de criar uma organização extremista e incitar o ódio contra as autoridades.

A acusação vem após uma sentença de nove anos, recebida em março por fraude e desacato. Antes, ele já cumpria outra sentença de 2 anos e meio.

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"Nem oito dias se passaram desde que minha sentença de nove anos entrou em vigor, e hoje o investigador apareceu novamente e me acusou formalmente de um novo caso", disse Navalny no Twitter. "Parece que criei um grupo extremista para incitar o ódio contra funcionários e oligarcas. E quando me colocaram na cadeia, ousei ficar descontente com isso e convoquei comícios. Por isso, eles deveriam somar a mais 15 anos para a minha sentença".

Não houve confirmação imediata das novas acusações. Organizações de direitos humanos e políticos ocidentais condenaram os vários processos criminais contra Navalny, um dos opositores mais ferrenhos do presidente Vladimir Putin nos últimos anos.

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Um dos poucos nomes de uma oposição de fato a Vladimir Putin na Rússia, Navalny está preso desde janeiro de 2021, quando retornou de um tratamento médico na Alemanha — meses antes, em agosto de 2020, ele foi envenenado quando fazia um voo na Sibéria, e especialistas afirmaram que ele havia sido exposto à substância conhecida como Novichok, uma arma química desenvolvida na URSS. O Kremlin nega qualquer participação no caso.

Após a invasão da Ucrânia, o Kremlin acelerou sua campanha para reprimir e silenciar a oposição interna. Navalny se manifestou contra a guerra, atacando Putin durante uma audiência no tribunal, na semana passada, quando chamou a invasão de "estúpida" e "construída sobre mentiras".

— Você [Putin] pode quebrar muitos destinos, mas sofrerá uma derrota histórica aqui e nesta guerra estúpida que você começou — disse na audiência onde foi sentenciado a nove anos de prisão. — Nem todos na Rússia são tão loucos, pervertidos e sugadores de sangue. Eu certamente estou pronto para ir para a cadeia por dizer a todos que as pessoas estão morrendo.

Uma nova lei, aprovada em março, pune com até 15 anos de prisão quem espalhar o que as autoridades chamam de “notícias falsas” sobre a invasão da Ucrânia. Desde então, mais de 15 mil pessoas foram detidas por conta de postagens em redes sociais, denúncias anônimas e da participação em protestos contra a guerra.

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