Orbán gera revolta ao atacar ‘mistura de raças’ na Europa

O primeiro-ministro da Hungria causou indignação no sábado (23) depois de criticar os países da Europa Ocidental por "misturar" populações europeias e não europeias. Viktor Orbán afirmou que "o Ocidente está dividido em dois", argumentando que os países onde os povos europeus e não europeus se misturam "não são mais nações".

Governo por decreto: Alegando impacto da guerra na Ucrânia, Orbán adota poderes de emergência na Hungria

Em abril: Desequilíbrio de poder e erros da oposição garantem ampla vitória de Orbán e hegemonia da extrema direita na Hungria

O líder conservador ultranacionalista idealizou uma "raça húngara pura", durante seu discurso anual na Tusvanyos Summer University, na Romênia. — Nós [húngaros] não somos uma raça mista… e não queremos nos tornar uma raça mista — disse ele.

Katalin Cseh, deputada do partido de oposição Momentum, criticou o discurso de Orbán. — Suas declarações lembram uma época que acho que todos gostaríamos de esquecer. Elas realmente mostram as verdadeiras cores do regime — comentou a parlamentar.

No Twitter, ela fez uma declaração às pessoas "mestiças" da Hungria: "o que quer que essa explosão racista sem sentido signifique: sua cor de pele pode ser diferente, você pode vir da Europa ou de outros países - você é um de nós, estamos orgulhosos de você. A diversidade fortalece a nação, não a enfraquece", publicou.

O primeiro-ministro alegou que o Ocidente, Bruxelas e as "tropas" de George Soros - inimigo de longa data do Fidesz, seu partido - estavam tentando "forçar os migrantes" na Europa Central. O deputado romeno Alin Mituţa também respondeu com raiva aos comentários de Orbán:

— Falar sobre raça ou 'pureza' étnica, especialmente em uma região tão mista como a Europa Central e Oriental, é puramente ilusório e perigoso. E assim é o senhor Orbán. Novidade, senhor Orbán: TODOS nós temos origens culturais e raciais misturadas. Essa é uma das grande características de sermos europeus — escreveu ele no Twitter.

s

No evento, Orbán criticou também o apoio militar do Ocidente à Ucrânia, já que o primeiro-ministro é o principal aliado da Rússia dentro da União Europeia. Segundo ele, a guerra na Ucrânia só terminará em 2024, após as próximas eleições nos EUA. Além disso, sugeriu que a Rússia não teria invadido o país vizinho se Donald Trump tivesse permanecido na Casa Branca.

Semelhanças: Premier húngaro Orbán elogia Bolsonaro: 'Mais apta definição de democracia cristã moderna'

O premier declarou ainda que a paz "é a única solução para salvar vidas e o único antídoto para a inflação da guerra e a crise econômica desencadeada pela guerra". Segundo o Daily News Hungria, 86 húngaros morreram na guerra da Ucrânia até o momento.

Esse discurso segue uma decisão da União Europeia de reter bilhões em fundos de recuperação e crédito da Hungria devido a preocupações de que seu governo de direita não esteja defendendo o Estado de direito ou combatendo a corrupção.

Orbán, cujo partido nacionalista Fidesz novamente conquistou uma maioria de dois terços no Parlamento nas eleições de abril, aumentou gradualmente seus poderes durante seus 12 anos no cargo, intervindo no Judiciário, nos organismos culturais e promovendo meios de comunicação de empresários aliados.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos