Orban alega 'ponto de vista cultural' para defender discurso sobre mistura de raças

O primeiro-ministro húngaro Viktor Orban defendeu, nesta quinta-feira (28), suas declarações feitas no último fim de semana sobre "mistura de raças" durante uma visita oficial a Viena, alegando que elas representam "um ponto de vista cultural".

"Às vezes acontece de eu falar de uma maneira que pode ser mal interpretada, mas pedi ao chanceler (Karl Nehammer) para colocar a declaração em um contexto cultural", disse Orban em entrevista coletiva conjunta com o presidente austríaco.

"Na Hungria, essas expressões e frases representam um ponto de vista cultural e civilizado", continuou.

O líder nacionalista húngaro, que tem o hábito de fazer críticas anti-imigração, rejeitou no sábado a visão de uma sociedade "multiétnica" em um discurso na região romena da Transilvânia, onde reside uma grande comunidade húngara.

"Não queremos ser uma raça mista" que se junta a "não europeus", sublinhou Orban, antes de se referir às câmaras de gás do regime nazista para criticar o plano de Bruxelas de reduzir em 15% o consumo europeu deste combustível.

Os países "onde coabitam povos europeus e não europeus não são mais nações. Esses países não passam de conglomerados de povos", disse o chefe de governo húngaro, que já fez declarações semelhantes no passado, mas sem usar o termo "raça", de acordo com os especialistas.

Isso lhe rendeu duras críticas da comunidade judaica e a renúncia de uma assessora.

Caso raro na era Orban, Zsuzsa Hegedus, uma socióloga que assessorou Orban por muito tempo e cujos pais sobreviveram ao Holocausto, apresentou sua renúncia na terça-feira.

Ela denunciou "uma posição vergonhosa" e "um puro texto nazista digno de (Joseph) Goebbels", em referência ao ex-chefe da propaganda da Alemanha nazista.

Desde seu retorno ao poder em 2010, Orban implementou reformas "antiliberais" em seu país, baseadas na "defesa de uma Europa cristã".

Especificamente, ele atacou os imigrantes da África e do Oriente Médio e as ONGs que os ajudam, dificultando o direito de asilo e erguendo cercas nas fronteiras.

Nehammer condenou veementemente "qualquer forma de racismo e antissemitismo" e garantiu que ambos os líderes abordaram o assunto "com total franqueza".

"Estamos em perfeito acordo", reagiu Orban, que disse estar "orgulhoso" da política de "tolerância zero" promovida pela Hungria.

Os dois homens também discutiram "migração ilegal" e "cooperação energética", já que ambos os países são fortemente dependentes do gás russo.

Orban aproveitou a oportunidade para culpar novamente a política de Bruxelas diante do conflito na Ucrânia.

A Hungria se opõe em particular ao plano de redução coordenada do consumo de gás, votado na terça diante da queda nas entregas russas.

"Se começarmos a restringir um produto, é sinal de que estamos em apuros. Caminhamos para uma economia de guerra e se esta guerra se prolongar, a recessão é inevitável", lançou o primeiro-ministro húngaro.

Viktor Orban realiza sua primeira visita a um de seus parceiros da União Europeia (UE) desde sua triunfante reeleição no início de abril.

A Áustria, um país neutro que pretende ser uma ponte entre a Europa Ocidental e Oriental, faz questão de não deixar a Hungria de lado, de acordo com um funcionário que falou sob condição de anonimato.

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