Organizações civis do Haiti acusam ONU de apoiar presidente impopular

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Um homem carrega uma criança perto de barricadas em chamas enquanto opositores do presidente haitiano Jovenel Moise protestam, em 15 de janeiro de 2021, em Porto Príncipe, para exigir sua saída do poder

Organizações civis acusaram nesta sexta-feira (5) a missão das Nações Unidas no Haiti de defender o impopular presidente Jovenel Moise, apoiando sua tentativa de adiar as eleições, embora seu mandato termine no domingo.

A votação para eleger deputados, senadores, prefeitos e autoridades locais deveria ter sido realizada em 2018, mas as eleições foram atrasadas.

Em uma carta à missão da ONU no Haiti, cerca de uma dúzia de grupos de direitos humanos e de defesa das mulheres a culpou por fornecer apoio técnico e logístico aos planos do presidente de realizar um referendo de reforma constitucional em abril e deixar as eleições presidenciais e legislativas mais para o final do ano.

"As Nações Unidas não devem, em hipótese alguma, apoiar o presidente Jovenel Moise em seus planos antidemocráticos", afirma a carta.

Esses grupos dizem que, de acordo com sua leitura da constituição do país caribenho, o mandato do presidente termina no domingo. Moise e seus apoiadores alegam que ele tem mais um ano no poder.

O conselho eleitoral que fixou as datas de todas essas votações foi indicado unilateralmente pelo presidente. Seus membros não foram empossados por um tribunal, conforme determina a lei.

A criminalidade - e se vai isso impedir uma eleição adequada - é outro grande preocupação na cabeça das pessoas.

Nos últimos meses, o Haiti tem visto um ressurgimento de sequestros por resgate, que visam indiscriminadamente tanto os ricos quanto a maioria que vive abaixo da linha da pobreza.

Os sequestros e o domínio de gangues armadas em várias áreas da capital Porto Príncipe e nas províncias são ameaças à segurança das eleições.

A missão política da ONU no país, chamada de Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti, está em operação desde outubro de 2019.

A ONU diz que sua missão é assessorar o governo na promoção e fortalecimento da estabilidade política, da boa governança e do Estado de Direito.

A carta divulgada nesta sexta, porém, foi contundente em suas críticas à missão. "As violações dos direitos humanos estão se intensificando. O país foi invadido por bandidos sob a supervisão das Nações Unidas, cuja missão é promover os direitos humanos e o Estado de Direito e consolidar as instituições", argumenta.

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