Organizações de Direitos Humanos exigem fim da repressão aos manifestantes no Peru

Carlos MANDUJANO, Luis Jaime CISNEROS
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Manifestantes fogem do gás lacrimogêneo durante um protesto contra o novo presidente peruano Manuel Merino, em Lima
Manifestantes fogem do gás lacrimogêneo durante um protesto contra o novo presidente peruano Manuel Merino, em Lima

Organizações dos direitos humanos ergueram sua voz nesta sexta-feira (13) contra a repressão aos manifestantes no Peru, depois que cerca de dez pessoas ficaram feridas nos protestos contra o governo do novo presidente Manuel Merino.

Entre as vítimas, há dois feridos com "armas de fogo" em Lima nas gigantescas manifestações de quinta-feira à noite contra Merino, o chefe parlamentar que assumiu o poder na terça, no dia seguinte ao impeachment do presidente popular Martín Vizcarra pelo Congresso.

"Preocupado com as notícias que recebo do Peru", tuitou Michael Forst, ex-relator especial da ONU sobre defensores dos direitos humanos.

A Defensoria do Povo do Peru (ombudsman) exigiu nesta sexta-feira "o fim imediato do uso de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra cidadãs/os que exercem seu direito de se manifestar".

"Muito preocupantes os relatos de uso excessivo da força por parte da polícia do Peru. A polícia deve garantir o direito dos peruanos de se manifestar pacificamente e da imprensa de informar", indicou em outro tuíte José Miguel Vivanco, da organização Human Rights Watch, com sede nos Estados Unidos.

Pelo terceiro dia consecutivo, milhares de peruanos saíram a pé, de bicicleta e carro na noite de quinta-feira em Lima e outras cidades, em rejeição à Merino.

O protesto na praça San Martin de Lima ocorreu pacificamente por cerca de quatro horas, até que um grupo de manifestantes tentou se aproximar da sede do Congresso, símbolo da ira dos peruanos por ter destituído Vizcarra.

Os policiais dispararam balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, observaram jornalistas da AFP.

- Feridos por armas de fogo -

Os feridos por armas de fogo são Percy Pérez Shapiama, de 27 anos, que foi atingido no abdômen, o que lhe causou três perfurações nos intestinos, pelas quais foi operado e está em estado grave; e Luis Aguilar Rodríguez, de 26, que foi atingido no tórax e não precisou de cirurgia e permanece estável, segundo as autoridades de saúde.

"Os dois foram feridos por armas de fogo", disse o médico Jorge Amorós, do hospital Almenara de Lima, onde ambos estão internados, sem especificar o tipo de arma.

Um fotógrafo da AFP foi atingido por projéteis em um braço e uma perna na marcha da Praça San Martín.

Também houve manifestações no distrito turístico de Miraflores, no sul de Lima, e em várias outras cidades.

As autoridades não divulgaram balanços de feridos ou detidos, mas a Coordenadoria Nacional de Direitos Humanos disse que além de Pérez e Aguilar, outras 12 pessoas ficaram feridas, entre elas uma que foi atingida no rosto e oito manifestantes detidos.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ente autônomo da OEA, expressou na quinta-feira sua "preocupação com o uso excessivo da força policial".

O representante do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU na América do Sul, Jan Jarab, pediu às autoridades peruanas que garantam o direito da reunião pacífica, depois de afirmar ter recebido "informações preocupantes" sobre as ações da polícia.

A Justiça peruana deve decidir nesta sexta-feira se proíbe a saída do país por 18 meses de Vizcarra, solicitada pela Promotoria pelas denúncias de que recebeu 600.000 dólares em subornos para autorizar obras públicas quando era governador da região de Moquegua em 2014.

O ex-presidente nega as acusações.

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