Organizadores de blocos de Carnaval são responsáveis pela segurança, diz prefeito de SP

*Arquivo* São Paulo, SP, 24.04.2022 - Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
*Arquivo* São Paulo, SP, 24.04.2022 - Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse nesta sexta-feira (15) esperar "consciência" dos blocos de rua de carnaval que decidirem manter os desfiles no fim de semana, dos dia 16 e 17. Segundo ele, os organizadores são responsáveis pela segurança dos foliões.

O carnaval de rua em julho, que havia sido sugerido pela própria prefeitura, foi cancelado menos de dez dias antes de sua realização. Segundo a administração municipal, a suspensão ocorreu por falta de empresas interessadas em patrocinar a festa.

"Se alguém [blocos de carnaval] sair, eu espero que tenham bastante consciência, não atrapalhem as ruas, que dê todas as condições necessárias para as pessoas, por exemplo, que haja ambulância no local", disse o prefeito.

"É fazer com que as pessoas que comandam os blocos saibam da sua responsabilidade com a segurança das pessoas", completou.

Nunes disse que a prefeitura pode dar uma "pequena estrutura" para o evento do fim de semana, sem detalhar qual será esse apoio. "O que a gente puder ajudar, a gente vai ajudar. Dar alguma pequena estrutura", disse.

O cancelamento às vésperas da festa foi criticado pelas associações e coletivos de blocos de rua. Eles acusam a gestão da secretária municipal da Cultura, Aline Torres, de abandono.

Diferentemente do que recomendou em abril, quando os blocos desfilaram pela cidade no feriado de Tiradentes, dessa vez a prefeitura não pediu para que os coletivos não saiam às ruas sem autorização.

Ainda que não proíba os desfiles, a gestão municipal não dará apoio ou estrutura para a festa. Em nota, a prefeitura disse que vai manter no fim de semana de 1.000 a 3.000 funcionários para a limpeza pública, podendo ampliar os serviços com novas equipes de plantão.

Também informou que a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) irá monitorar o trânsito e "adotará as medidas necessárias para a preservação da segurança de todos os usuários do viário". A prefeitura não respondeu se irá dispersar blocos que eventualmente fechem ruas da cidade.

Em um manifesto divulgado nesta quinta (14), os blocos disseram que vão desfilar no fim de semana "exercendo seu direito legítimo de manifestação cultural garantido pela Constituição".

Entre os signatários estão cordões que arrastam multidões, como Bloco Filhos de Gil, Bloco Saia de Chita, Bloco Ritaleena e Acadêmicos da Cerca Franco.

Questionado nesta sexta sobre as críticas dos blocos após cancelar mais uma vez o carnaval, Nunes disse que não entraria em "discussões e provocações de quem quer desconfigurar" o que a gestão vem construindo para a cidade.

"O carnaval de rua é patrimônio da cidade de São Paulo, somos defensores e organizadores do evento junto com os blocos. Não vai ter dessa vez porque soltamos o edital duas vezes e não apareceram interessados. Não foi falta de vontade da prefeitura", disse.

A administração lançou edital em 17 de junho com lance mínimo de R$ 10 milhões, mas nenhuma empresa se apresentou. Novo pregão foi aberto com lance mais baixo, a partir de R$ 6 milhões, porém o prazo se encerrou sem empresas participantes. O evento foi então cancelado.

Diante das críticas, Nunes também defendeu que a prefeitura já está se organizando para o carnaval do próximo ano. "Vamos fazer um grande carnaval de rua em fevereiro, o maior da história da cidade. Tendo patrocínio ou não vamos ter um grande carnaval no Sambódromo e nas ruas", prometeu.

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