Organizadores do luau que reuniu aglomeração no Arpoador programam noitada em ambiente fechado

Leticia Lopes
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Associação Viva Selva de Pedra/Arquivo
Associação Viva Selva de Pedra/Arquivo

RIO — Depois de mais de duas mil pessoas se aglomerarem na madrugada de domingo na praia do Arpoador, os organizadores do "Luau Bateu a Onda" já programam uma nova edição da noitada, desta vez em ambiente fechado. A festa ainda não tem data nem local confirmados, mas já deixa ansiosos frequentadores do evento, principalmente aqueles que não conseguiram comparecer a edição do último fim de semana, que começou na noite de sábado e atravessou a madrugada até o amanhecer de domingo, quando a cidade do Rio bateu recorde de UTIs municipais ocupadas por pacientes com Covid-19.

"Recebemos algumas mensagens e vimos alguns comentários reclamando sobre a questão de som/música. E queremos dizer que, é bem complicado colocar som ali como gostaríamos, por conta dos moradores e prefeitura. Por isso, sempre pedimos para cada um levar a sua caixinha de som e quando da sic, colocamos uma banda para tocar. Mas dessa vez houve um imprevisto com eles. Mas se tudo der certo, em breve estaremos lançando um evento fechado, fiquem de olho!", alerta um comunicado da organização do evento no Facebook.

O GLOBO tentou, novamente, contato com os produtores da festa, mas eles alegaram "questões de segurança", e preferiram não comentar.

Na noite da festa, enquanto a multidão curtia a festa com som alto e sem máscara — item obrigatório na prevenção do coronavírus — moradores da Rua Joaquim Nabuco, há poucos metros da praia do Arpoador, fizeram um chamado ao Disk Aglomeração, central de atendimento criada pela prefeitura em março para receber denúncias de descumprimento das medidas sanitárias de prevenção à Covid-19. A ocorrência se somou a outros 36 registros naquela região, por conta de aglomerações durante a pandemia.

No domingo, a prefeitura disse que o evento não tinha autorização para acontecer. A Guarda Municipal informou que atuou "para coibir a realização do luau" e "orientou os cidadãos a evitar aglomerações", mas a festa parece ter acontecido normalmente, sem incômodos. Já a Polícia Militar disse que equipes do batalhão do Leblon foram até o local, e duas ocorrências foram registradas.

"No local, uma pessoa que recusou-se a desligar ou diminuir o volume de aparelho de som e uma pessoa que apresentou-se como organizador do evento foram conduzidas para a delegacia da área".

Ainda na noite de sábado, pouco tempo depois do início do evento, os produtores do luau publicaram um aviso aos frequentadores para que se "tranquilizassem" quando a presença dos agentes de segurança:

"Já tem algumas pessoas chegando no local e nos informando que tem a presença de Guarda Municipal e policiamento. Não se preocupem, eles sempre estão presente em todos os eventos do luau. É só cada um ir para curtir e não causar alvoroço", diz a mensagem.

A festa acontece na praia do Arpoador desde 2016, e estava suspensa por conta da pandemia. No sábado, o tema do evento era "festa do sinal", onde os frequentadores deveriam se vestir de acordo com seu status civil: vermelho, para os comprometidos, amarelo, para os “enrolados”, e verde, para os solteiros.