Organizadores de Tóquio-2020 já se planejam para um possível adiamento

TÓQUIO — Os organizadores dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 começaram a esboçar possíveis alternativas para a realização do evento em meio a pandemia do coronavírus. Segundo fontes da agência de notícias Reuters, a organização vem pensando, em silêncio, em cenários de mudanças na data da competição. O movimento contrasta com a posição do governo japonês de que o adiamento não é uma opção.

Enquanto o surto de coronavírus interrompeu os eventos esportivos em todo o mundo, o Japão foi firme em dizer que os Jogos continuarão. O principal porta-voz do governo disse na quarta-feira que Tóquio não estava se preparando para adiar.

O primeiro-ministro Shinzo Abe apostou em seu legado como principal premiado do Japão nos Jogos e espera um "boom" nos gastos com turismo e consumo. Está em risco mais de US $ 3 bilhões em patrocínio local, um recorde olímpico e cerca de US $ 12 bilhões gastos em preparativos.

— Finalmente fomos convidados a fazer uma simulação em caso de adiamento — disse um funcionário próximo ao comitê organizador que está envolvido na elaboração dos cenários.

Ambas as fontes falaram sob condição de anonimato, porque não estavam autorizadas a falar com a mídia.

— Estamos fazendo planos alternativos, observando diferentes prazos de adiamento — disse o funcionário, acrescentando que os cenários incluem estimativas de custos para diferentes atrasos.

Mudanças geram dor de cabeça

Nem os organizadores de Tóquio 2020 nem o Comitê Olímpico Internacional (COI) responderam imediatamente a um pedido de comentário. O governo do Japão não pôde ser contatado para comentar.

As opções, que incluem reduzir os Jogos ou mantê-los sem espectadores, serão debatidas pelo comitê organizador no final de março, segundo a autoridade.

A segunda fonte, que também está perto do comitê organizador de Tóquio 2020, confirmou que o adiamento estava sendo discutido, incluindo atrasos de um ou dois anos. Alguns funcionários da organização esperavam um atraso de um mês ou 45 dias, de acordo com o que disse o funcionário.

Uma decisão final sobre o adiamento terá que vir do COI, mas a posição do Japão também é importante.

A fonte envolvida na elaboração de cenários disse que um longo atraso pode gerar reclamações de atletas mais velhos e exigir a manutenção de patrocinadores por mais tempo. Outra dor de cabeça é a vila olímpica, que deve ser convertida em apartamentos após os Jogos.

O calendário do verão de 2021 já está lotado, enquanto 2022 terá a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim.