Orla de Copacabana é dominada por vendedores ambulantes

Mariana Teixeira
Ambulantes utilizam os bancos da Praia de Copacabana para vender mercadorias

RIO — Quem caminha pela Praia de Copacabana vê diariamente a enorme quantidade de vendedores ambulantes espalhados pela orla. Atração turística mundialmente famosa, o lugar virou um grande ponto de vendas. No calçadão, nos bancos e pela areia é possível encontrar mercadorias — entre os Postos 4 e 5 é onde está a maior concentração e há mais variedade de produtos. Projetadas para o passeio de pedestres, as pedras portuguesas funcionam como vitrines de um shopping a céu aberto.

Edite Maria de Jesus, de 61 anos, mora em Copacabana há duas décadas e acha que de uns dois anos para cá houve um aumento significativo na presença de camelôs naquela área. Para ela, a situação não é confortável e afeta a rotina dos moradores.

— O espaço fica limitado, muito cheio e difícil para caminhar. Tem muita aglomeração na parte da tarde, é complicado — reclama.

Um guarda municipal diz que recebe reclamações diariamente por parte de moradores que utilizam a praia. No entanto, ressalta que nem todos querem que os vendedores sejam simplesmente expulsos, pedem apenas algum controle, pois os produtos espalhados no calçadão atrapalham o fluxo de pessoas. Boa parte dos bancos também é ocupada por vendedores e suas mercadorias.

— Os pedestres querem mais espaço para circular, mas muitos entendem que para os vendedores é uma forma de sustento — comenta o guarda.

Copacabana é referência para os que vêm de outros países conhecer o Rio e também está se tornando um destino comum para o trabalho informal. O bairro atrai tanto turistas quanto ambulantes de outras partes do mundo. Entre os camelôs há gente de países como Senegal, Angola e Venezuela.

Um senegalês, que preferiu não se identificar, conta que decidiu colocar seus produtos expostos em Copacabana porque é a forma mais eficiente que encontrou de ganhar dinheiro.

— Ser estrangeiro dificulta muito que eu consiga um emprego. Aqui tem movimento e dá para vender bem, mesmo dependendo do sol — afirma.

Fiscalização não intimida

Mesmo sabendo que a utilização da orla de Copacabana para expor e vender os mais variados produtos é proibida, os ambulantes estão lá diariamente e parecem não ter medo da fiscalização. O presidente da associação de moradores do bairro, Horácio Magalhães, afirma que denuncia todos os dias a presença dos vendedores irregulares.

— É um verdadeiro jogo de gato e rato. A Guarda Municipal age, eles fogem na hora, mas depois retornam — observa.

Quem sofre com a presença do comércio ilegal são os donos de quiosques na praia, devido à concorrência desleal com os estabelecimentos regulamentados. A presidente da Coopquiosque, Rosana R. Limeirinha, argumenta que a presença desses ambulantes é uma barreira para o crescimento e o desenvolvimento da cidade.

— Os negócios regulamentados geram impostos e empregos. Quando os camelôs se posicionam a poucos metros deles e assediam seus clientes, põem em risco a viabilidade desses quiosques — pontua Rosana.

A fiscalização das atividades dos vendedores é responsabilidade de um conjunto de órgãos da prefeitura, como a Coordenadoria de Controle Urbano (CCU), a Coordenadoria de Licenciamento e Fiscalização e a Guarda Municipal. Segundo a Secretaria municipal de Fazenda, a CCU fiscaliza diariamente a região de Copacabana.

Os ambulates em situação irregular ou aqueles que estejam em lugares não autorizados, como a Praia de Copacabana, são orientados a liberar o espaçõ público. A legislação prevê ainda multa para o vendedor não regulamentado.

Dados da prefeitura mostram que na orla da Zona Sul, em 2019, o Grupamento Especial de Praia e Marítimo — grupo especializado ligado à Guarda Municipal — realizou 2.158ações para a retirada de ambulantes irregulares do local e apreendeu 8.014 produtos variados, entre eles alimentos perecíveis e churrasqueiras. A Central 1746 recebe as denúncias feitas pelos cidadãos.

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