Orla de Copacabana receberá cinco postos avançados do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BPTur) e uma nova delegacia em até 90 dias

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RIO — Um dos principais cartões-postais do Rio e sonho de consumo dos turistas que chegam à cidade no verão, a orla de Copacabana receberá cinco postos avançados do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BPTur) e uma nova delegacia em até 90 dias. O anúncio, feito neste sábado, pelo governador Cláudio Castro (PL) em entrevista ao GLOBO, foi comemorado por moradores e comerciantes do bairro, que convivem com o medo de assaltos e outros crimes, principalmente durante a alta temporada, quando os números tendem a subir. De acordo com Castro, os delitos ocorridos na Avenida Atlântica correspondem a 30% dos marcadores totais do bairro.

Números do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que, nos meses de calor, os transeuntes correm mais riscos de entrar para as estatísticas de crimes em Copacabana. Em 2019, último ano antes da pandemia da Covid-19, o bairro registrou 987 roubos a transeuntes. Desde total, 428 registros (ou seja: 43%) foram feitos nos meses de janeiro, fevereiro, março e dezembro. O mesmo pôde ser visto em relação aos roubos a coletivos no bairro, quando neste período foram registrados 47 dos 93 casos (ou seja: 50%). Os celulares estão entre os itens mais roubados nas ruas de Copacabana: em 2019, transeuntes foram 317 vezes às delegacias do bairro. Metade deste número ocorreu nos meses de pico de calor e chegada de turistas.

O local de instalação da nova delegacia ainda está em estudo, mas a Praça do Lido é apontada como o ponto ideal para a unidade por integrantes da cúpula de segurança, já que fica situada entre as Ruas Prado Júnior e Rodolfo Dantas, onde se concentra parte dos roubos a cariocas e turistas. Já se sabe que as unidades do BPTur serão espalhadas em pontos estratégicos do canteiro central da Avenida Atlântica, entre a Avenida Princesa Isabel e o Posto 6.

A principal unidade do BPTur ficará situada em frente ao Museu da Imagem e do Som, cujas obras foram retomadas neste mês. Além de servir como base para o policiamento da região, os postos vão possibilitar o serviço integrado de segurança em diversos pontos da praia, além do monitoramento através de câmeras. A iniciativa foi comemorada pelo presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães.

— Qualquer reforço no policiamento do bairro é válido. Ainda mais neste verão, no qual o Rio de Janeiro retoma a sua vocação turística. Esta estação traz tudo o que há de melhor e pior para as zonas turísticas da cidade e, neste ano, ainda temos um aumento da cobertura vacinal, o que faz com que as pessoas busquem as praias e áreas de lazer. Nada mais justo que isso venha acompanhado de uma sensação maior de segurança — diz.

Gerente de uma loja de materiais de construção na Rua Belford Roxo, o comerciante Álvaro Santhiago torce para que as medidas reduzam os índices de criminalidade do bairro.

— São 32 anos por aqui. Quando um gringo entra na loja, em tarde de sol, já sei que vai perguntar onde é a delegacia mais próxima. Os estrangeiros andam com cordões e pulseiras que acabam sendo arrancados. Tomara que com o policiamento na orla este quadro melhore — diz.

Neste ano, embora os números de dezembro ainda não tenham sido contabilizados pelo ISP, já foram registrados 223 roubos de aparelhos de celular e 502 roubos a transeuntes. Os assaltos a ciclistas também apresentam alta: foram 23 ocorrências entre janeiro e dezembro - o maior número desde o início da série histórica sobre esta modalidade de crime.

Moradora da Rua Duvivier, a professora Leila Albuquerque diz que a vizinhança agradece as medidas.

— Quem é morador já sabe como se precaver nessa época do ano. Nas reuniões de condomínio sempre pedimos para que os vizinhos desçam apenas com o que for necessário e, caso decidam ir à praia, evitem joias e apetrechos que brilhem. Em época de verão, andar por Copacabana com qualquer coisa que reluza, com celulares nos ouvidos ou bicicleta são riscos que podem ser evitados — diz.

Registros online

Além do aumento do policiamento ostensivo na orla de Copacabana, a Secretaria de Polícia Militar também pretende implementar o registro de ocorrências on-line em vários pontos da orla carioca, através de palmtops conectados à internet, realizando registros de pequenos delitos sem a necessidade de condução de criminosos às delegacias. O sistema já foi testado e será utilizado por policiais dos batalhões de Botafogo, do Leblon e do Recreio dos Bandeirantes.

Mais de 2 mil policiais militares vão trabalhar até o final do verão nas praias das Zonas Sul e Oeste. O monitoramento da orla, no entanto, começará distante dali: a Polícia Militar prepara uma força-tarefa na Linha Vermelha, considerada um dos principais eixos de ligação entre a capital e a Baixada Fluminense.

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