Orquestra Maré do Amanhã faz apresentação itinerante pela Zona Sul do Rio neste domingo

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No início da tarde deste domingo, dia 6, as janelas e as varandas de apartamentos são o camarote para a apresentação da "Caravana da Esperança", projeto da Orquestra Maré do Amanhã, que percorre parte da orla da Zona Sul do Rio a bordo de um trio elétrico. Os 12 instrumentistas prometem um repertório eclético, que passa pelo clássico, com nomes como Mozart e Bach, mas cai em ritmos nacionais, como Roberto Carlos e Chico Buarque, e no pop, como Michael Jackson. "Love of my life", do Queen, marca a celebração adiantada pelo dia dos namorados. E uma composição inédita pelo Dia do Meio Ambiente, comemora da data de ontem.

Esta segunda edição da "Caravana da Esperança" segue pela orla. O ponto de partida é do Posto 6, e o trio segue até o Leme. Lá, tem uma pequena parada enquanto se reposiciona para seguir o rumo a partir da Rua Rainha Elizabeth até o fim do Leblon, também pela praia. Inicialmente, o caminho seguiria por ruas internas da região, a começar pela Avenida Ataulfo de Paiva, no Leblon, seguindo para Visconde de Pirajá, Nossa Senhora de Copacabana, Prado Júnior, Leme, Barata Ribeiro, Rainha Elizabeth, Delfim Moreira e terminando na Vieira Souto. O trajeto, no entanto, teve de ser alterado de última hora para receber a liberação da Subprefeitura da Zona Sul.

Carlos Eduardo Prazeres, fundador da Orquestra Maré do Amanhã, conta que a ideia de levar as apresentações até a casa do público de uma maneira diferente surgiu do momento pelo qual estamos passando:

— Está todo mundo preso em casa. Todo mundo deprimido, triste. O que a gente quer é justamente mostrar "vamos ter fé, colocar uma energia positiva para transformar essa realidade". Essa é a nossa mensagem — destaca Prazeres, que aposta no repertório eclético para agradar a muitos.

Hoje, a orquestra conta com 40 instrumentistas em seu quadro, mas a bordo do trio elétrico neste domingo, apenas 12 participam da apresentação para que se respeite o distanciamento social de 1,5 metro entre eles — uma medida adotada durante a pandemia. Antes da primeira apresentação, que foi especial para o Dia das Mães, em 9 de maio, os integrantes treinaram três vezes tocando enquanto o trio dava voltas pelo quarteirão na Maré. A locomoção a 5 quilômetros por hora não é o maior desafio — inclusive tendo sido tirado de letra —, mas sim os obstáculos no caminho, como árvores e fiação, uma vez que os músicos ficam a cerca de 4,6 metros de altura.

— Eu tenho tido dificuldade de explicar que o trio não passa em todos os lugares. Por exemplo, a gente tem vontade de fazer a Zona da Leopoldina, mas a gente, antes de fazer, vai de carro mapeando. E tem muita árvore. Da primeira vez, fizemos a orla de Copacabana e depois fomos pra Tijuca, e lá foi um desastre. Tocava e parava, tocava e parava. É muita árvore, muito fio. Tem lugares que não dá para a gente ir — contou Prazeres.

Pé na estrada

No momento, o cronograma é de apresentações mensais até o fim do ano. Mas há planos para mudanças no meio do caminho. A equipe quer rodar a cidade com um trio maior, proporcionando passar de 12 para 20 instrumentistas, e com roteiros com intervalos a cada quinze dias. Para o projeto colocar o pé no acelerador, é preciso mais do que o incentivo através da Lei Rouanet, único patrocínio no momento.

Prazeres conta que tem buscado mais apoio para expandir fronteiras, e levar a orquestra não só para outras regiões da cidade do Rio como para o estado. Para cair na estrada, o projeto itinerante da orquestra está inscrito para receber patrocínio através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, que permite a empresas, contribuintes de ICMS no Rio de Janeiro, patrocinar a produção cultural utilizando o incentivo fiscal concedido pelo Estado.

— Coloquei o projeto agora na 'lei do ICMS' para ver se a gente faz agora toda a orla da Região dos Lagos, começando em Araruama e indo até Arraial do Cabo. Eu acho que todo mundo tinha que ver esse projeto — vislumbra Prazeres.

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