Ortega teme competição da oposição na Nicarágua, denúncia candidata presidencial

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(ARQUIVO)Foto tirada em 11 de janeiro de 2012. Cristiana Chamorro, líder da oposição, foi acusada pelo governo de envolvimento em lavagem de dinheiro, condição que pode afetar suas aspirações de participar das eleições presidenciais de novembro.

A candidata da oposição à presidência da Nicarágua, Cristiana Chamorro, afirmou nesta sexta-feira (21) que as denúncias das autoridades contra ela por suposta lavagem de dinheiro refletem o "horror" que o presidente Daniel Ortega tem de uma competição de oposição nas eleições de novembro.

“Daniel Ortega tem medo do povo nicaraguense, esse homem está morrendo de horror, porque (ele sabe que) juntos vamos derrotá-los nas próximas eleições”, afirmou Chamorro, depois de ser interrogada por mais de três horas por funcionários do Ministério Público (MP) em Manágua.

O MP abriu uma investigação contra Chamorro, 67, um dia depois que o Ministério do Interior da Nicarágua a intimou inesperadamente para responder por supostas "inconsistências nos relatórios financeiros" da Fundação Violeta Barrios de Chamorro, organização promotora da liberdade de expressão que a candidata chefiou entre 2015 e 2019.

Segundo o Ministério do Interior, entidade governamental que controla as ONGs, os relatórios apresentados pela fundação encontraram "indícios claros de lavagem de dinheiro", que devem ser investigados pelo MP.

Na Nicarágua, qualquer pessoa sob investigação tributária está proibida de disputar cargos sujeitos a eleições.

Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro (1990-1997), rejeitou as acusações: “É uma incriminação injusta, uma monstruosidade legal que se arma contra esta cidadã pelo crime de ter dito que quer servir aos nicaraguenses” como candidata presidencial.

"As ações contra Cristiana Chamorro e a Fundação Violeta Barros, assim como as detenções de jornalistas (na quinta-feira) são outro ataque alarmante contra a democracia na Nicarágua", condenou o porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price, no Twitter.

De acordo com uma pesquisa feita em janeiro pelo escritório Cid Gallup, Chamorro, que não pertence a nenhum partido, é a figura da oposição mais relevante - com 13,3% das intenções de voto - para enfrentar o partido de Ortega, no poder desde 2007.

“Eu sinto que [esta investigação] é para intimidar toda a Nicarágua, é uma intimação com a qual eles estão atacando o direito dos nicaraguenses de votar nas próximas eleições”, acusou a opositora, que instou a oposição a se unir para enfrentar o partido da situação Frente Sandinista (FSLN, esquerda).

“Temos que unir forças”, concordou o pré-candidato presidencial da oposição pelo partido Aliança Cidadãos pela Liberdade (CxL), o ex-embaixador e acadêmico Arturo Cruz, que afirmou que o governo está tentando “boicotar as eleições” porque “sabem que são minoria".

Os sandinistas não descartam a escolha de Ortega, um ex-guerrilheiro de 75 anos, para um quarto mandato consecutivo nas eleições gerais de 7 de novembro.

Chamorro disse que o MP, controlado por funcionários ligados ao governo, não informou quanto tempo vai durar a investigação ou o que tem contra ela, além de não ter permitido a entrada de seus advogados durante o interrogatório.

“Não sei o que eles têm nas mãos (...) aqui estamos, fora da lei, eles fazem o que querem”, alertou Chamorro, que disse estar disposta a cooperar para “desmascarar essa farsa".

Chamorro chegou à sede do MP acompanhada de vários apoiadores que gritavam “Liberdade!” e “Se mexem com Cristiana, mexem com todos!”.

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