Os altos e baixos de Dorival Jr, que reestreia no Flamengo com chance de retornar ao topo

Aos 60 anos de idade e 20 como técnico, Dorival Júnior está longe de ser novato. Ainda assim, sua estreia pelo Flamengo, às 21h, contra o Internacional, representa um passo tão importante na carreira quanto o primeiro jogo pelo Cruzeiro, em 2007, sua experiência inicial no comando de um clube grande. A terceira passagem pelo rubro-negro é também a chance de fazer um trabalho que o recoloque no primeiro escalão de treinadores e dê fim aos altos e baixos que acompanham sua carreira.

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Esta retomada não começou agora. Seu retorno ao futebol após quase dois anos chamou a atenção. Em março, aceitou o chamado do Ceará, aproveitando a boa fase esportiva e administrativa dos dois principais clubes do estado. Saiu com um aproveitamento de 68,5% em 18 partidas.

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Neste período, soube trabalhar com as limitações do elenco (fez o time encontrar um padrão com três volantes no meio e jogadas mais verticais) e deixou o Vozão classificado para as oitavas da Sul-Americana com 100% de aproveitamento na fase de grupos, nas oitavas da Copa do Brasil e em 12º no Brasileiro, a três pontos do G4. Sob seu comando, o Ceará foi um dos três clubes que venceram o Palmeiras em 2022 — o único no Allianz Parque.

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Estes feitos levaram a diretoria do Flamengo a acreditar que, com um elenco mais qualificado, Dorival pode ir além. Ainda mais por se tratar de um grupo com o qual ele tem familiaridade. Mais de um terço do plantel já trabalhou com ele. Incluindo Gabigol e Bruno Henrique, que viveram bons momentos sob seu comando no Santos. O primeiro, entre 2015 e 2017. O segundo foi repatriado pelo clube paulista a pedido dele em 2017.

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Com estes indicadores, o torcedor mais otimista pode achar que o êxito de Dorival no Flamengo é uma questão de tempo. O problema são as oscilações que marcam sua carreira. Em mais de uma vez, tropeçou justamente quando dava a impressão de que iria decolar.

Depois de classificar o Cruzeiro para a Libertadores de 2008, ser campeão da Série B de 2009 com o Vasco e vencer o Paulista e a Copa do Brasil de 2010 com o Santos de Neymar e Ganso, Dorival entrou na elite dos treinadores nacionais. Mas escolhas equivocadas o desgastaram. Em 2013, após deixar o Flamengo por falta de acordo sobre o salário, aceitou, em sequência, trabalhos no Vasco e no Fluminense, que viviam grave crise técnica e de bastidores. No ano seguinte, pegou o Palmeiras em situação semelhante.

Nas Laranjeiras, se submeteu a um contrato de apenas cinco jogos. Os tricolores só não caíram graças às punições do STJD a Portuguesa e Flamengo por escalação irregular de atletas. Já os cruz-maltinos foram rebaixados. O clube paulista se livrou da queda em 2014, mas com a pior pontuação de um 16º colocado.

A duradoura passagem pelo Santos, entre 2015 e 2017, marcou uma nova alta. Ajudou Gabigol a despontar, conquistou um Paulista e foi vice da Copa do Brasil e do Brasileiro. Em 2018, assumiu um Flamengo instável e o ajudou a ser segundo colocado da Série A e a se classificar para a Libertadores da qual seria campeão. Não permaneceu por opção da nova diretoria, que assumiu já acertada com Abel Braga.

Aí, vieram as pausas na carreira. A primeira, em 2019, devido a um câncer de próstata. No ano seguinte, tentou retomá-la no Athletico. Mas, após 16 partidas, foi demitido devido a uma sequência de quatro resultados negativos. Detalhe: em três deles não esteve presente porque havia contraído Covid. Um duro golpe que o fez parar de novo e focar na vida pessoal.

— Tive dois anos problemáticos. Não tinha como retornar naquelas condições. Tinha consciência de que não seria útil aos clubes que tivessem confiado em mim — explicou ao assumir o Ceará, dando início a mais uma fase promissora.

Dorival teve o primeiro contato com os jogadores do Flamengo na noite de sexta. O treino fora comandado por Mário Jorge, do sub-20, sob suas instruções. Mas seu contrato já está registrado na CBF e ele está apto a comandar a equipe na área técnica do Beira-Rio.

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