Os caminhos: como Vasco e Ituano podem buscar o gol para subir à Série A

Poucos jogos se desenharam com tamanha importância para o Vasco como o de amanhã. O cruz-maltino visitará o Ituano precisando pontuar para voltar à primeira divisão do Campeonato Brasileiro. O empate vale vaga na Série A, enquanto os donos casa precisam vencer. O GLOBO fez um raio-x dos gols sofridos pelas equipes no segundo turno para apresentar o caminho das pedras da partida no Estádio Novelli Jr.

A notícia ruim para o torcedor cruz-maltino é que o Ituano é uma equipe que tem levado poucos gols. Desde a estreia do técnico Jorginho estreou no Vasco, em 12 de setembro, o time carioca sofreu 14 gols em nove jogos. É o mesmo número de gols que os paulistas sofreram durante as 18 rodadas do segundo turno até aqui. Ou seja, de um lado há problemas defensivos, do outro, solidez.

A boa notícia é que existem caminhos visíveis a serem explorados pelos vascaínos. Por exemplo, o Ituano se notabiliza como um clube que sofre muitos gols no terço final de suas partidas, seja por questões técnicas, físicas ou simplesmente por apagões de seu sistema defensivo. Dos 14 gols sofridos pelos paulistas neste segundo turno, nove aconteceram nos 30 minutos finais de partida — cerca de 64% do total.

O técnico Jorginho tem algumas armas no banco de reservas, justamente para tentar mudar o panorama das partidas no segundo tempo. As duas principais são Gabriel Pec e Alex Teixeira. O garoto da base brilhou na vitória sobre o Criciúma, participando dos dois gols. Alex Teixeira, contra o Operário, fora de casa, fez dois gols salvadores, que deram os três pontos ao time.

A maior fragilidade do Ituano é, sem dúvidas, os cruzamentos vindos do lado esquerdo da defesa. Seja rasteiro ou pelo alto, é o lado de maior fragilidade e que rende mais assistências para os adversários dos paulistas. Foram sete gols sofridos através de cruzamentos, sendo quatro deles aproveitando o espaço no setor.

O Vasco, se quiser aproveitar isso, pode explorar mais os ataques pela direita. Marlon Gomes e Figueiredo, ambos destros, se revezam na posição durante as partidas. Eles podem buscar a jogada pela linha de fundo, cruzando para quem vem de trás. Outra alternativa é puxar os avanços do lateral-direito Léo Matos, normalmente mais preso às tarefas defensivas.

Vento que venta lá, venta cá, e o Vasco também oferece ao Ituano deficiências que podem ser exploradas para o time do interior paulista chegar pela primeira vez à Série A.

Pressão do Ituano

Os cariocas costumam ter maiores dificuldades no começo das partidas. No segundo turno, a equipe sofreu 26 gols, 11 deles nos primeiros 30 minutos de jogo. Não será surpresa alguma se o Ituano, atrás da vitória, preparar uma estratégia de abafa no começo, jogando em casa, com o apoio da torcida. Será a chance de Aylon, artilheiro da equipe paulista, se destacar.

Fica difícil explorar as fraquezas atuais do Vasco e não destacar a má fase vivida pelo goleiro Thiago Rodrigues, que também é confirmada pelos números. Dos 26 gols sofridos pelo cruz-maltino neste segundo turno, 13 entraram no mesmo canto: o inferior direito do goleiro. Muitos deles em falhas ou através de rebotes, o que pode mostrar um problema do titular.

Diante do Sampaio Corrêa, na derrota por 3 a 2 em São Januário, o primeiro gol da equipe maranhense foi neste canto e em falha do goleiro. É um dos vários exemplos vistos ao longo do segundo turno.

É possível também falar de erros coletivos. Por ser uma equipe grande na Série B, o Vasco tende a jogar mais no campo adversário e, por conta disso, sofrer muitos gols de contra-ataque — foram quatro no total, o mesmo número de falhas de Thiago Rodrigues até aqui.

O lado positivo para o time, e o torcedor, é o que o Vasco volta à Série A mesmo com um empate. Não haverá necessidade de se expor tanto em Itu.