Os donos do poder: Lula, Bolsonaro e a distância entre nós

A nação serve para suprir seus interesses e vontades. Esse é o Brasil desde Dom Pedro. Continua sendo o Brasil de Lula e Bolsonaro. (Fotomontagem Yahoo Notícias, com imagens de Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images; e REUTERS/Adriano Machado)
A nação serve para suprir seus interesses e vontades. Esse é o Brasil desde Dom Pedro. Continua sendo o Brasil de Lula e Bolsonaro. (Fotomontagem Yahoo Notícias, com imagens de Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images; e REUTERS/Adriano Machado)

A cada ciclo político os donos do poder se organizam para que possam seguir governando e legislando para si. Essa elite comanda e dirige mantendo uma distância entre o centro do poder e os governados. A nação serve para suprir seus interesses e vontades. Esse é o Brasil desde Dom Pedro. Continua sendo o Brasil de Lula e Bolsonaro.

Bem que poderia ser uma obra de ficção mas nada mais é que o país de 2022 em que os homens, unicamente atentos a seus interesses, dispensam os seus olhares sobre o interesse geral. Concentrados em seu bem-estar esses homens dão o nome de honestas apenas às ações que lhes são pessoalmente úteis. Corrupção existiu no seu governo, não no meu.

O debate do fim de semana mostrou que 79% dos eleitores estão decididos em quem votar para presidente e, infelizmente, diante das opções que temos e da impossibilidade uma terceira via se estabelecer — falei sobre isso num vídeo do Yahoo —, estamos fadados ao continuísmo de uma disputa de poder em que o Estado serve aos interesses do rei.

Bolsonaro e Lula, nas chances que tiveram de exposição midiática nas últimas semanas, demonstraram apenas inaptidão para governar o país. Acuados com questionamentos sobre a exposição que tiveram em seus governos, chamaram setores fundamentais de economia brasileira de fascistas e direitistas e não resistiram aos impulsos da misoginia.

Os ataques são mais preponderantes do que debates para soluções de um país completamente devastado por corrupção, pela pandemia, pela inflação e por mandos e desmandos de quem se interessa, não mais somente pelo dinheiro, mas pelo poder.

Lula é um democrata que comandou um assalto aos cofres públicos do país e hoje volta querendo ser, novamente, o salvador da pátria. Como se fosse o maior santo da história desse país.

Veja as últimas pesquisas eleitorais para presidente:

Bolsonaro mostrou-se totalmente incompentente para comandar o país frente. A uma pandemia e tem o temperamento de uma criança. Bradou aos quatro ventos que não existia corrupção em seu governo e todo dia uma compra inexplicada surge aos olhos do público. Agora 51 imóveis comprados em dinheiro vivo.

E a única que falou em fome quando teve oportunidade foi Simone Tebet. O Brasil agoniza diante de líderes cegos.

Há uma lacuna instransponível no Brasil entre Estado e sociedade, governo e nação, que marcham, a cada ciclo político que passa, cada vez mais, em lados opostos. O desejo desses que estão aí, não se enganem, é tomar posse da autoridade com o único fim de mandar e ver a nação obedecendo.

Para isso distribuem suas bondades em anos eleitorais a fim de que a memória da população esteja mais fresca no momento de reconduzi-los ao poder. A luta não é por nós, é por aquilo que Norberto Bobbio, brilhantemente, sempre alertou: “o objetivo único dos detentores de poder é manter o Estado em suas mãos”.

A história do Brasil, com suas heranças portuguesas, desde Dom Pedro e suas capitanias hereditárias, mostra um país descentralizado e desorganizado que forma uma sociedade elitista e conservadora que no que puder, vai limar a participação popular da formação da história.

Que na nossa consciência política, que nessa eleição que está decidida entre Lula e Bolsonaro, possamos apenas manter viva nossa constante luta contra o elitismo político. Durante os mais de 500 anos de história do Brasil muitas mudanças ocorreram, mas a lacuna entre o povo e o poder foi mantida. A história é cíclica e infelizmente ela não deve mudar nessa eleição. Mas que a crescente exposição dos atos públicos permita nossa eterna vigilância e constante batalha para remover os obstáculos que. Nos impedem de ter uma sociedade mais igualitária.