Os erros da segunda temporada de ‘Big Little Lies’ sobre a terapia

Leigh Blickley
A doutora Amanda Reisman durante uma sessão em “Big Little Lies”.

No terceiro episódio da segunda temporada de Big Little Lies, Renata Klein (Laura Dern) contrata a doutora Pequena Bo Peep, psicóloga especializada em crianças, para conversar com sua filha Amabella (Ivy George), depois de a menina ter um ataque de pânico na escola durante uma discussão sobre o livro infantil Charlotte’s Web.

“Mal posso esperar para te encontrar de novo! Vou trazer chá e biscoito!”, diz a psicóloga – usando fantasia e com uma voz ridícula – a uma Amabella sorridente, no fim de uma sessão em casa.

Quando está sozinha com Renata e o marido, Gordon (Jeffrey Nordling), a doutora Bo Peep tira os dentes postiços e insiste que Amabella não está ansiosa porque sofre bullying. Não, não. A menina está aterrorizada com o fim do mundo depois de a professora falar sobre o relacionamento entre o porco Wilbur e a aranha Charlotte – que no fundo teria a ver com sustentabilidade ambiental.

(Ah, e é claro que ela percebe que tem alguma coisa errada entre seus pais, que estão brigando porque Gordon perdeu toda sua fortuna em negócios duvidosos.)

Detalhes à parte, a doutora Bo Peep jamais, jamais existiria no mundo real, segundo especialistas.

“Para começar, não existe terapeuta infantil que apareça vestido como a Pequena Bo Peep ou qualquer outro personagem”, diz ao HuffPost a psicoterapeuta de Nova York Kathryn Smerling, especializada em casais e famílias. “Isso diminui a eficácia da terapia lúdica e infantiliza o profissional. E, acima de tudo, não é apropriado. A criança estabelece laços com o personagem, não com uma pessoa real, que é a antítese da terapia lúdica bem-sucedida.”

A doutora Pequena Bo Peep em Big Little Lies.

Para uma série elogiada na primeira temporada por sua descrição realista da terapia, é uma infelicidade que na nova temporada o que se vê na tela sejam situações nada éticas. Smerling gosta de ver psicólogos retratados na TV como “ouvintes ativos e sinceros”.

Já o psicólogo Andrew Schwehm, também de Nova York, disse que...

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