Os jogadores de futebol precisam se posicionar politicamente?

Gabriel Gonçalves

Os jogos de futebol estão acontecendo em poucos locais do planeta. Porém, o universo do esporte está movimentado por questões que vão muito além das quatro linhas. Nesse sentido, uma série de insurgências políticas no Brasil dividiu a torcida entre apoiadores e críticos do presidente Jair Bolsonaro e seu governo.


Nos EUA, o assassinato de um jovem negro acirrou o debate sobre o racismo, provocando protestos inflamados por todo o país. Sobre o assunto, alguns atletas brasileiros chegaram a se posicionar. No mundo, expoentes de outros esportes estão até mais ativos que os nossos. Daí surge a pergunta: jogador de futebol deve se posicionar politicamente?


Veja algumas análises sobre o tema!


Política não é partido


No Brasil, a palavra 'política' tem sido muito ligada a questões partidárias, principalmente de uma disputa entre o PT e os anti-PT, algo que movimentou bastante as eleições presidenciais de 2018. Porém, é preciso entender que o fazer político vai muito além de Jair Messias Bolsonaro e Luís Inácio Lula da Silva; meros nomes de um contexto muito maior.


'Gritar' pelas comunidades carentes e fazer coro contra o racismo são posicionamentos políticos, que muitos atletas assumem constantemente. Citar as mazelas do país e realizar seus trabalhos voluntários, também. Portanto, os jogadores devem compreender que conseguem se expressar sobre vários assuntos sem transparecer a preferência por candidatos, algo muito pessoal que vai de cada um.


Falar é importante, mas não obrigação


No meio das polêmicas do início de junho de 2020, Neymar tem sido criticado nas redes sociais por não se posicionar sobre a questão do assassinato do jovem negro nos EUA, já que vários outros o fizeram, como Vinícius Jr. e Richarlison.


De fato, uma personalidade como o Neymar se posicionar sobre o racismo leva o debate para muitos locais, já que uma multidão segue o atleta. Dessa maneira, o jogador de futebol usa sua estrela para levantar assuntos e colocá-los à luz da população.


Todavia, ninguém é obrigado a se posicionar de fato. Calar-se também é um ato político e faz parte do jogo democrático. Além do mais, falar sem qualquer preparo pode ser ainda pior e parecer vazio; apenas para acalmar os críticos.


Falta preparo


Desde pequenos, a maioria dos jogadores brasileiros passam por escolas precárias e enfrentam dificuldades para ascender em um meio tão competitivo. Assim, é difícil esperar que eles tenham o background necessário para realizar um debate político profundo. Antes de cobrarmos que nossos atletas se pronunciem, é preciso formar personalidades mais preparadas e instruídas em diversos assuntos; e não só bola.


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