‘Os juros baixos vieram para ficar e mudar a economia’ , diz Ilan Goldfajn

Thomas Traumann
Ilan Goldfajn diz que os juros baixos vieram para ficar

RIO — Presidente do Banco Central no período em que o Brasil iniciou uma queda constante nas taxas de juros, o economista Ilan Goldfajn acredita que o país se encaminha para um ciclo de crescimento entre 2% e 2,5%. “O Brasil é um transatlântico que se continuar na direção correta, vai chegar em bom porto. Mas não será rápido”, diz. Nessa conversa no seu novo emprego, a sede do banco Credit Suisse, em São Paulo, Goldfajn conta como acalmou o mercado na crise da JBS. “Haveria um risco de fuga de capitais se o mercado percebesse que poderia haver uma mudança na equipe econômica. Aí, o mercado não ia voltar rápido. Nosso trabalho foi de assegurar que não haveria guinada”, contou.

Em que momento que vocês perceberam que a queda dos juros era irreversível?

No Banco Central, você não baixa a guarda, mas na metade de 2017 já estava claro que havíamos quebrado a espinha da inflação, os sinais de que teríamos índice na casa dos 3% eram definitivos e que os juros iriam cair continuamente. Agora, até onde a taxa Selic pode chegar, ninguém sabe. É um mundo novo. Mas estamos em outro patamar, os juros baixos vieram para ficar e mudar a economia.