Os melhores filmes de 2020 em streaming

O Globo
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Serviços de streaming tiveram aumento exponencial no número de assinantes neste ano marcado pela pandemia de Covid-19 — e pelo confinamento de grande parte da população em casa. Críticos de cinema do GLOBO elegem os melhores filmes de 2020 lançados em plataformas online. Confira a lista abaixo.

Daniel Schenker

‘O conto das três irmãs’

A conexão entre este filme do turco Emin Alper e uma das grandes peças do dramaturgo russo Anton Tchecov (“As três irmãs”) não se restringe ao título. No texto de Tchecov, as irmãs planejam sair da província onde vivem e voltar para Moscou, objetivo que se torna cada vez mais distante à medida que a história avança. Aqui, as irmãs se reencontram num vilarejo localizado no meio das montanhas, retomando o cotidiano ao lado do pai, Sevket (Müfit Kayacan), e também manifestam a vontade de seguir em busca de outros horizontes. Now e no Vivo Play.

Mario Abbade

‘A voz suprema do blues’

A pequena obra-prima do diretor George C. Wolfe tem a sua força motriz no texto poderoso e nas interpretações antológicas da dupla Viola Davis e Chadwick Boseman. Eles pontuam com brilho cada nuance dos comentários sobre o racismo, o papel da religião, a exploração cultural e o estado permanente de violência contra os negros nos Estados Unidos dos anos 1920. Netflix.

Ruy Gardnier

‘Joias brutas’

Depois do primoroso “Bom comportamento” (2017), os irmãos Safdie dão a Adam Sandler o papel de sua vida com “Uncut gems”, em que um protagonista joalheiro e afundado na jogatina entra num redemoinho de endividamento e falsas promessas. O ritmo é frenético, a tensão é quase palpável e a narrativa consegue amalgamar “Vício frenético” (1992) de Abel Ferrara e “A morte de um bookmaker chinês” (1976) de John Cassavetes num conjunto que homenageia e renova o cinema independente nova-iorquino. Netflix.

Sérgio Rizzo

‘Os miseráveis’

Nascido no Mali e radicado na França, o diretor e roteirista Ladj Ly se baseou em suas experiências para ambientar em Montfermeil — comuna próxima a Paris, onde Victor Hugo escreveu e localizou o clássico “Os miseráveis” — este incômodo filme-denúncia sobre intolerância, preconceito, miséria e corrupção na Europa (mas poderia ser no Brasil). Apple TV, Google Play e YouTube Movies.

Simone Zuccolotto

‘Nunca, raramente, às vezes, sempre’

O filme de Eliza Hittman, que ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim, trata com responsabilidade a jornada de uma menina de 17 anos que decide abortar. Uma história íntima, que, dado o assunto, costuma vir acompanhada de emoções inflamadas, bandeiras e posicionamentos. E o grande acerto do filme é o naturalismo que coloca a experiência dolorosa na chave da realidade do cotidiano — no caso, de uma menina de família simples, sem dinheiro, que decide interromper uma gravidez indesejada. Com a ajuda de uma amiga, ela reúne parcos recursos e parte para outra cidade em busca de tornar real sua decisão. Now, Apple TV, Looke.