“Os números oficiais do coronavírus não estão corretos”, afirma presidente da Prevent Sênior

De acordo com a investigação das autoridades municipais em São Paulo, 79 mortes por Covid-19 aconteceram na rede Sancta Maggiore (Yan Boechat/Yahoo Notícias)

Por Yan Boechat

O presidente da Prevent Sênior, Fernando Parrillo, diz acreditar que os números oficiais de mortes pela Covid-19 estão defasados, fazendo com que a atenção se volte aos casos registrados em sua rede.

De acordo com a investigação das autoridades municipais em São Paulo, 79 mortes por Covid-19 aconteceram na rede Sancta Maggiore, comandada pela empresa que ele preside.

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Durante a coletiva de imprensa desta quarta, o governo disse que realiza visitas periódicas às três unidades do Sancta Maggiore na capital paulista.

O presidente da Prevent falou ao Yahoo Notícias sobre a crise do novo coronavírus no Brasil.

O que aconteceu no Prevent Sênior? O governo diz que há problemas nos hospitais da rede.

Nossos hospitais estão abertos para quem quiser conhecer e ver como estamos trabalhando. Cabe aos responsáveis das fiscalizações contar o que está acontecendo e a contar a verdade. E a verdade vai ser contada nos próximos dias.

Eu acho que esse número macro que estão falando não é o verdadeiro Fernando Parrillo, presidente da Prevent Sênior

Mas o senhor não acha o número de mortos não é muito alto em seus hospitais?

Se você partir da premissa errada você vai ter uma visão errada. Eu acho que esse número macro que estão falando não é o verdadeiro. Se você tem 100 mortes e ai eu tenho 70 mortes, eu tenho 70% dos mortos. Sim, é um número grande. Ainda assim não seria um absurdo, porque nós trabalhamos numa faixa etária que a própria Organização Mundial de Saúde diz ser a mais vulnerável. Mas problema não são os meus 70, o problema são os 100. É claro que não são 100, são muito mais. Os números oficiais não estão corretos. 

Essa fiscalização é boa para nós, acalma a população e os nosso beneficiários Fernando Parrillo, presidente da Prevent Sênior

O senhor acha que há uma perseguição então? Porque a Prevent Sênior está tão em evidência?

Não faz sentido, na verdade. Mas eu não paro para pensar nessas coisas. Temos 470 mil pessoas conosco, vendemos cinco mil contratos esse mês, isso atesta que as pessoas confiam em nós. A empresa segue sólida, os hospitais são certificados. A atenção está voltada para nós porque temos uma concentração de idosos em nossa carteira. O que não faz sentido para nós é que apenas os nossos idosos estejam ruins e todos os outros estão sadios e ninguém foi contaminado. Isso me causa estranheza, porque não tenho todos os idosos do mundo sob mim. 

O senhor acredita que os números oficiais não estão refletindo o número de mortes verdadeiro?

Sim. Isso numa avaliação lógica, estatística, levando em conta todos os países que estão passando por isso. Estamos com o vírus circulando há quase um mês e esse número de mortes não cresce no ritmo que deveria pela lógica. Acho que há uma desinformação dos números corretos, até pela estrutura do Brasil, que não se preparou para esse momento. Aliás, ninguém se preparou para isso.

O que não faz sentido para nós é que apenas os nossos idosos estejam ruins e todos os outros estão sadios e ninguém foi contaminado. Isso me causa estranheza Fernando Parrillo, presidente da Prevent Sênior

Qual a taxa de letalidade da Prevent Sênior?

Está em 12%. A OMS prevê 15% para aqueles com mais de 80 anos, que é a faixa com que trabalhamos. E esse percentual está diminuindo, estamos reduzindo essa taxa. A gente está evoluindo, estamos muito esperançosos de que esses números sejam reduzidos

E então por que o senhor acha que a prefeitura de São Paulo está pedindo uma intervenção nos hospitais da Prevent Sênior se a taxa de mortalidade está dentro da média?

Os profissionais que fiscalizam a companhia, tanto os estaduais quanto os da prefeitura, são os mesmos profissionais que nos fiscalizam há anos. Eles conhecem nosso trabalho. Jamais tivemos problema com a Anvisa, com a Vigilância Sanitária. Agora mesmo está tendo uma fiscalização agora, isso parece um circo. Em uma semana você não muda um cenário, não estaria pior do que já foi visto. Mas essa fiscalização é boa para nós, acalma a população e os nosso beneficiários.

Está em 12% [taxa de letalidade da Prevent Sênior]. A OMS prevê 15% para aqueles com mais de 80 anos, que é a faixa com que trabalhamos Fernando Parrillo, presidente da Prevent Sênior

Nas fiscalizações anteriores a prefeitura fez acusações de que não haveria isolamento correto entre infectados e suspeitos de infecção. Ela está errada?

A acusação foi feita por uma pessoa. Não podemos generalizar. Essa acusação foi feita por uma pessoa, errou o hospital e quando saiu o laudo, essa acusação não se confirmou. Houve um desencontro. Não sabemos o motivo, talvez por excesso de trabalho.