Os perigos de abolir uso da máscara: especialistas analisam risco de contágio em locais públicos quando não há proteção

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Uma das discussões mais emblemáticas e atuais na pandemia é a flexibilização do uso das máscaras. Algumas cidades já começam a falar na liberação gradual, que também é discutida em âmbito federal. Segundo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, uma equipe técnica da pasta está avaliando a medida. Em Duque de Caxias (RJ), o prefeito Washington Reis (MDB-RJ) suspendeu o uso obrigatório do item, tornando-se a primeira cidade no país a adotar a postura. Dois dias depois, uma decisão judicial suspendeu a flexibilização.

Na capital do estado do Rio, o plano da prefeitura prevê a mudança nas regras quando a cidade atingir 65% da sua população com a vacinação completa. A expectativa é de que a marca seja atingida na próxima semana.

A medida vem sendo testada em países como Portugal. Israel, que desobrigou o uso em junho, com cerca de 58% da população imunizada, voltou atrás após uma piora da pandemia. O mesmo foi visto nos Estados Unidos.

Especialistas acreditam que esse é um movimento precoce no Brasil, com cerca de 50% de sua população totalmente vacinada.

— O ideal seria esperar ao menos 80% de cobertura — diz o diretor do Laboratório Genetika, Salmo Raskin.

A pedido do EXTRA, o geneticista avaliou o risco de contágio em locais públicos, sem o uso de máscara, e em dois cenários: com todos vacinados e com metade da população imunizada. A classificação de baixo risco é quando a chance é menor que 30%; médio risco, de 30% a 70%; e alto, acima de 70% (veja abaixo).

O Brasil registrou ontem 201 mortes por Covid-19, com o total de óbitos chegando a 601.643 desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias ficou em 318, seguindo tendência de queda. Foram registrados 1.588 novos casos: a média móvel de casos ficou abaixo da marca de 12 mil, a menor desde maio de 2020. Os números são de levantamento de consórcio de veículos de imprensa.

O país alcançou, ontem, a marca de 100 milhões de pessoas completamente imunizadas contra Covid-19 com dose única ou duas doses de vacina. Em todo o país, 100.499.968 pessoas estão totalmente imunizadas, ou seja, 47,11% da população. Já 149.950.990 pessoas estão parcialmente imunizadas com a primeira dose de uma das vacinas, o equivalente a 70,29% da população. Os dados são do consórcio formado por EXTRA, O Globo, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde.

Segundo o governo, a marca de de 100 milhões representa 62,5% dos 160 milhões de brasileiros estabelecidos como público-alvo para vacinação pelo Plano Nacional de Operacionalização.

O marco foi anunciado pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em seu perfil no Twitter. O índice foi alcançando um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro afirmar que não vai se vacinar contra a doença. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a aplicação de imunizantes. Todas as vacinas disponíveis no Brasil passaram pelo crivo da Anvisa.

Após a declaração de Bolsonaro, presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), pediu ontem que todos os brasileiros se imunizem contra a Covid-19 para que o Brasil supere a pandemia.

— Quem não tomou, por favor, tome — disse.

Onde é mais perigoso ficar sem máscara?

1) VENTILAÇÃO EM AVIÃO AJUDA

O avião é um dos ambientes mais estudados em relação à propagação do vírus. Pesquisas mostram que o risco de transmissão do vírus na aeronave é maior durante o embarque e o desembarque do que quando o avião está no ar. Isso porque os sistemas de ventilação são extremamente eficazes em empurrar o ar direto para baixo. O uso do regulador individual de ar-condicionado, localizado em cima do assento, dispersa as partículas virais.

Risco com todos vacinados: BAIXO

Risco com 50% das pessoas vacinadas: MÉDIO

2) ALTO RISCO EM TRANSPORTES

Ônibus, metrô e trem reúnem três das piores características: transportar grande número pessoas desconhecidas sem distanciamento e com pouca ventilação. Estudo da Fiocruz de Pernambuco reforçou que esses ambientes são os mais perigosos. Terminais de ônibus foram percebidos como campeões em contágio, com 48,7% das amostras analisadas positivas para o coronavírus. Em seguida, estão arredores de hospitais (26,8%).

Risco com todos vacinados: ALTO

Risco com 50% das pessoas vacinadas: ALTO

3) PROTOCOLOS EM ESCOLAS

Lugares fechados com muitas pessoas são propícios ao contágio. Mas, no caso das escolas, com protocolos como distanciamento e higienização junto à vacinação entre os adolescentes, o risco cai consideravelmente. O perigo, no entanto, não desaparece pois no Brasil a imunização não é autorizada para crianças. Estudos mostram que elas têm 1,5 mais chances de transmitir o vírus para adultos do que adolescentes.

Risco com todos vacinados: BAIXO

Risco com 50% das pessoas vacinadas: MÉDIO

4) CUIDADO NO RESTAURANTE

Uma pesquisa do Reino Unido constatou que trabalhadores de bares e restaurantes são a categoria com maior risco de contágio, atrás só de profissionais de saúde. Mas, com protocolos, os locais conseguem reduzir riscos. O perigo só não é menor pelo fato de lidarem com itens compartilhados — e pela transmissão por saliva. Lugares que oferecem comida por quilo são mais vulneráveis e os com áreas externas, mais seguros.

Risco com todos vacinados: MÉDIO

Risco com 50% das pessoas vacinadas: ALTO

5) DISTÂNCIA AO AR LIVRE

Em ambientes amplos e abertos, o risco é menor. A chance de contágio é 19 vezes maior em ambientes fechados do que ao ar livre, segundo estudos. Com ao menos metade das pessoas imunizadas, os índices caem drasticamente. Além disso, no caso da praia, a transmissão pela água é bem pouco provável. O grande problema é a aglomeração. O distanciamento deve ser de ao menos um metro, e compartilhar objetos deve ser evitado.

Risco com todos vacinados: BAIXO

Risco com 50% das pessoas vacinadas: MÉDIO

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