'Os produtos do Facebook prejudicam as crianças, alimentam a divisão e enfraquecem nossa democracia', diz delatora do Facebook

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RIO e WASHINGTON - Um dia após o Facebook e seus aplicativos Instagram e WhatsApp ficarem quase seis horas fora do ar, a Comissão Federal de Comércio dos EUA ouve Frances Haugen, ex-gerente de produto da empresa, que há dois dias revelou sua identidade ao mundo.

— Ontem, vimos o Facebook ser retirado da internet. Não sei por que caiu. Mas sei que por mais de 5 horas o Facebook não foi usado para aprofundar divisões, desestabilizar democracias e transformar meninas e as mulheres se sentem mal com seus corpos. Os produtos do Facebook prejudicam as crianças, alimentam a divisão e enfraquecem nossa democracia — afirmou Haugen aos congressistas, durante seu depoimento.

Haugen disse que a companhia de Zuckerbeg repetidamente encontrou conflitos entre seus próprios lucros e nossa segurança, e que consistentemente resolveu esses conflitos em favor de seus próprios lucros.

— O resultado tem sido mais divisão, mais dano, mais mentiras, mais ameaças e mais combate. Em alguns casos, isso levou à violência real — completou Haugen.

A ex-funcionária do Facebook, que também já trabalhou no Google, disse que a companhia impede pesquisadores de obter dados da plataforma.

— Quase ninguém fora do Facebook sabe o que acontece dentro do Facebook. O Facebook dirá que privacidade significa que eles não podem fornecer dados. Isso não é verdade. A empresa intencionalmente oculta informações vitais do público, do governo dos Estados Unidos e de governos em todo o mundo.

Haugen entregou documentos internos da empresa para parlamentares, reguladores e meios de comunicação, e deve compartilhar com os congressistas as estratégias da gigante de tecnologia.

A audiência trata da proteção de crianças no ambiente digital, com foco no testemunho de Haugen. A ex-gerente de produto deve revelar como a empresa enganou o público e os acionistas sobre os efeitos nocivos de suas plataformas.

A Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC na sigla em inglês), processou o Facebook, alegando que a empresa se envolveu em uma estratégia anticompetitiva de comprar empresas, incluindo o serviço de compartilhamento de fotos Instagram e a plataforma de mensagens WhatsApp, para neutralizá-las como potenciais concorrentes. A FTC inicialmente aprovou ambos os acordos, mas agora diz que eles devem ser revogados.

Alexandria Ocasio-Cortez, congressista norte-americana, criticou o poder "monopolista" do Facebook em seu perfil no Twitter.

"Se o comportamento monopolista do Facebook fosse verificado quando deveria ter sido (talvez na época em que começou a adquirir concorrentes como o Instagram), os continentes de pessoas que dependem do WhatsApp e Instagram para comunicação ou comércio estariam bem agora", tuitou Ocasio-Cortez.

Ela completou:

"É quase como se a missão monopolista do Facebook de possuir, copiar ou destruir qualquer plataforma concorrente tivesse efeitos incrivelmente destrutivos na sociedade livre e na democracia", escreveu Ocasio-Cortez. "O WhatsApp não foi criado pelo Facebook. Foi um sucesso independente. FB ficou com medo e comprou".


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