'Os produtos do Facebook prejudicam as crianças e enfraquecem nossa democracia', diz delatora em audiência no Senado dos EUA

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Um dia após o Facebook e seus aplicativos Instagram e WhatsApp ficarem quase seis horas fora do ar, desencadeando críticas contra seu domínio na comunicação digital, a companhia volta aos holofotes. Desta vez, está no alvo do Senado americano, onde sua ex-gerente de produto, Frances Haugen, participa nesta terça-feira de uma audiência.

Haugen foi quem vazou documentos internos da gigante de tecnologia para o Wall Street Journal, mostrando que a companhia sabia que postagens no Instagram causavam danos à saúde mental de adolescentes.

Ela teve sua identidade revelada no domingo, quando, em entrevista ao programa 60 Minutes, da CBS, contou como a estratégia do Facebook visava a aumentar o engajamento dos usuários, alimentando divergências entre eles. Nesta terça, ela dará detalhes dessa estratégia:

— Ontem (segunda), vimos o Facebook ser retirado da internet. Não sei por que caiu. Mas sei que por mais de cinco horas o Facebook não foi usado para aprofundar divisões, desestabilizar democracias e transformar meninas e mulheres que se sentem mal com seus corpos — afirmou Haugen aos congressistas, durante seu depoimento.

E continuou:

— Os produtos do Facebook prejudicam as crianças, alimentam a divisão e enfraquecem nossa democracia.

Haugen disse que a companhia de Mark Zuckerberg repetidamente identificou conflitos entre seus lucros e a segurança de usuários, e que consistentemente resolveu esses conflitos em favor de seus próprios ganhos.

— O resultado tem sido mais divisão, mais dano, mais mentiras, mais ameaças e mais combate. Em alguns casos, isso levou à violência real — completou Haugen.

À senadora Cantwell, Haugen disse que Mark Zuckerberg foi informado de que havia mudanças que poderiam ser feitas na plataforma para prevenir que a rede ofertasse conteúdo nocivo e optou por não fazer nada porque teria um impacto nos lucros.

Ela destacou ainda casos de radicalização por meio das redes sociais, citando episódios de violência e genocídios em muitos países como Mianmar e Etiópia - e disse que a empresa tem consciência dos efeitos de suas plataformas sobre as pessoas, especialmente sobre as crianças.

A ex-funcionária do Facebook disse que a companhia impede pesquisadores de obter dados da plataforma.

— Quase ninguém fora do Facebook sabe o que acontece dentro do Facebook. O Facebook dirá que privacidade significa que eles não podem fornecer dados. Isso não é verdade. A empresa intencionalmente oculta informações vitais do público, do governo dos Estados Unidos e de governos em todo o mundo.

Haugen disse que ninguém na empresa responsabiliza Mark Zuckerberg pelas estratégias corporativas da empresa, mas que o estilo de gestão do CEO levou a um ciclo problemático.

— As métricas tomam a decisão. Infelizmente, isso em si é uma decisão e, no final, (Zuckerberg) é o CEO do Facebook, ele é responsável por essas decisões. (...) O Facebook tem lutado por muito tempo para recrutar e reter o número de funcionários que precisa para lidar com o grande escopo de projetos que escolheu assumir. Isso faz com que haja falta de pessoal nos projetos, o que causa escândalos, o que dificulta a contratação.

Ela continua:

— É por isso que a empresa precisa vir e dizer: 'Fizemos algo errado. Fizemos algumas escolhas das quais nos arrependemos'. A única maneira de seguir em frente e curar o Facebook é primeiro ter que admitir a verdade.

Haugen entregou documentos internos da empresa para parlamentares, reguladores e meios de comunicação. A audiência trata da proteção de crianças no ambiente digital, com foco no testemunho dela e deve elevar a pressão por mais regulação do Facebook e outras empresas do setor.

A Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC na sigla em inglês), processou o Facebook, alegando que a empresa se envolveu em uma estratégia anticompetitiva de comprar empresas, incluindo o serviço de compartilhamento de fotos Instagram e a plataforma de mensagens WhatsApp, para neutralizá-las como potenciais concorrentes.

A FTC inicialmente aprovou ambos os acordos, mas agora diz que eles devem ser revogados.

Alexandria Ocasio-Cortez, congressista americana, criticou o poder "monopolista" do Facebook em seu perfil no Twitter.

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