Os próximos passos da carreira de Túlio Starling após “Pantanal”

Túlio Starling como Simão na série
Túlio Starling como Simão na série "Hit Parade". (Foto: Reprodução/Globoplay)

O ator Túlio Starling fez uma breve participação em “Pantanal”, da TV Globo, como Chico, filho de Juliana Paes e Henrique Diaz, e esteve em dose dupla na 50ª edição do Festival de Cinema de Gramado com dois novos projetos sobre a história política do Brasil, relacionamentos e intimidade.

O artista começou a atuar no teatro da escola aos 13 anos, quando morava em Belo Horizonte. Quando completou 15, se mudou para Brasília e transformou o amor pela arte em profissão. Aos 32 anos, ele lançou dois filmes: "O Pastor e o Guerrilheiro”, com direção de Eduardo Belmonte, e "A Porta ao Lado", dirigido por Julia Rezende.

Enredo

"O Pastor e o Guerrilheiro" gira em torno de Juliana (Juliana Dalavia), filha ilegítima de um coronel que comete suicídio, que descobre que o pai foi um torturador durante a Ditadura Militar no Brasil. A história mostra como João (Johnny Massaro), um jovem comunista, foi preso, torturado na prisão em Brasília e acabou encarcerado com Zaqueu (César Mello), um cristão evangélico preso por engano, em 1968.

Juntos, eles sofrem, se ajudam, superam diferenças ideológicas e marcam um encontro para 27 anos depois, à meia-noite, na virada do milênio, em cima da Torre de TV de Brasília. No entanto, João morre em um acidente de carro, em 1990. Ao encontrar um livro em casa que revela que os dois foram torturados pelo pai, Juliana decide que a história terá um desfecho diferente do que foi combinado.

“São universos muito representativos do Brasil e da construção da Democracia brasileira, que vão interagindo entre si”, contou Túlio em entrevista ao Yahoo. “O filme é muito complexo e ao mesmo tempo muito envolvente”.

Atriz Julia Dalavia e o ator Tulio Starling, durante o 26º dia de filmagens do longa-metragem
Atriz Julia Dalavia e o ator Tulio Starling, durante o 26º dia de filmagens do longa-metragem "O Pastor e o Guerrilheiro", em Brasília. (Foto: Divulgação/Filipe Duque)

Segundo ele, João e Zaqueu “além de construírem ali uma relação de muita solidariedade entre si, porque estavam ali sendo violentados de uma maneira inimaginável injustificável pelo Estado, eles passam também a ter um diálogo sobre a condição humana, cada um da sua perspectiva. Um da perspectiva do evangelho e outro da perspectiva marxista”, explicou.

No longa, Túlio interpreta Diogo e conta que construiu o personagem foi refletir sobre essa distopia geracional e foi também sobre a formação da democracia brasileira: "E um filme que dialoga muito com presente, porque ele de fato faz isso a partir da sua narrativa e conseguirmos compreender a relevância dele".

Segundo projeto fala de formatos de relacionamentos

Já seu segundo projeto de Starling é “A Porta ao Lado”, filme que acompanha Rafa (Dan Ferreira) e Mari (Letícia Colin), que vivem um relacionamento tranquilo e estável, dentro dos moldes mais tradicionais. Eles passaram cinco anos juntos e se acostumaram com a monotonia da vida de casados, até que Fred (Starling) e Isis (Bárbara Paz), um casal que vive um relacionamento aberto, se muda para o apartamento ao lado e faz Mari questionar sua união e outras formas de se relacionar.

Letícia Colin, Dan Ferreira, Túlio Starling e Bárbara Paz no filme
Letícia Colin, Dan Ferreira, Túlio Starling e Bárbara Paz no filme "A Porta ao Lado". (Foto: Divulgação/Desiree do Valle)

“O filme fala de intimidade”, declarou. “Fala sobre essa fronteira entre o que a gente não conta para ninguém, o que a gente conta só para outra pessoa com quem a gente vive”.

Ele conta que os quatro personagens começam o filme estabelecendo suas crenças e identidades, mas cada um começa a questionar as certezas que cada um tem sobre si ao longo da história. "Vamos acompanhando tanto o que eles dizem uns para os outros, quanto as coisas que eles mantêm conservados nos próprios silêncios". O longa se aprofunda "na noção solitária de compreensão da vida e de absorção dos acontecimentos."

Depois de sua passagem pelo festival de Gramado e de fazer seu primeiro trabalho na televisão aberta com "Pantanal", ele ainda planeja retornar às telinhas. "Eu adorei a experiência e com certeza tenho a vontade de voltar fazer outros personagens fazer outras novelas."