Os sonhos para o futuro do menino de 13 anos que passou em 1° lugar no vestibular no Ceará

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RIO — Caio Temponi faz tudo o que um menino de 13 anos tem direito e gostaria de fazer: jogar pingue-pongue com o pai, futebol com os amigos e postar vídeos em seu canal no Youtube. Mas o adolescente que vive no bairro Aldeota, em Fortaleza, resolveu ir além e, por determinação e insistência, tira agora onda nos desafios para gente grande: acaba de passar em primeiro lugar no vestibular para o curso de administração na Universidade Estadual do Ceará (Uece). Essa não é a primeira conquista precoce de Caio, que coleciona outras façanhas como o primeiro lugar no exame da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar).

Se, por um lado, Caio tem uma trajetória acadêmica e uma facilidade de aprendizado muito acima da grande maioria das pessoas de sua idade, por outro ele é uma criança normal, com vontades, anseios e sonhos, alguns deles em busca de um mundo melhor.

Para isso, apesar de já ter sido aprovado em administração, a carreira que o jovem de fato pretende seguir é a de juiz federal. Segundo Caio, é uma profissão em que ele poderia não só ajudar outras pessoas, como contribuir para construir um país mais justo.

— Acho que as pessoas deveriam pensar menos em si, e se preocupar mais com as outras. Acho que mudar isso seria um bom começo para mudar o mundo — conta o jovem.

Veja os sonhos de Caio para um futuro melhor:

Mas mesmo com pouca idade, Caio já faz a diferença como pode. No início de 2020, ele criou um canal no Youtube para ajudar as pessoas que têm dificuldades em aprender matemática, ou que não têm acesso aos conteúdos necessários. Com três aulas em vídeo por semana, a página “Gabaritando Com Caio Temponi” acumula mais de 11 mil inscritos. Para Caio, é uma forma de passar para os outros aquilo que ele aprende:

— Quando eu entrei num cursinho preparatório foi que comecei a gravar mais vídeos de matemática para ajudar as pessoas. Eu gosto bastante do meu canal, ajudo pessoas que querem estudar para concursos, para olimpíadas. E muitas pessoas não têm acesso a um material, então lá no canal eu consigo compartilhar isso com elas.

E conhecimento é o que Caio tem de sobra para compartilhar. Em 2021, ele também foi o único brasileiro a conquistar uma medalha de ouro na Olimpíada de Mayo Nível 1, para jovens de até 13 anos. A competição de matemática acontece anualmente e contou com a participação de 12 países da América Latina.

Criança como as outras

Mas, diferente de como muitos pensam, toda essa bagagem não faz com que Caio deixe de ser uma criança normal, com gostos e atitudes de alguém com 13 anos, conta seu pai, Antônio Marcos, de 46 anos.

— As pessoas às vezes acham que por ele ter essa facilidade nos estudos ele é uma criança que não sai, que não brinca, mas não é assim. O Caio na sala de aula é um monstro. Mas fora dos estudos é uma criança, que corresponde à idade dele. Ele tá brincando o tempo todo. Gosta de jogar futebol, pingue-pongue.

E mesmo com aprovação no vestibular garantida, Caio ainda curte o dia a dia na escola, onde pretende permanecer até completar o ensino médio, em 2023.

De Três Rios a Fortaleza

A facilidade de Caio nos estudos apareceu logo quando era pequeno. Sua mãe, Laurismara Temponi, de 40 anos, conta que quando ele tinha apenas 5 anos, antes mesmo de ingressar no 1º ano (antiga alfabetização), Caio já sabia escrever. Laurismara e seu marido foram então à escola, que sugeriu que o único filho do casal pulasse uma série e fosse direto para o 2º ano.

Preocupados, os pais procuraram ajuda de profissionais especializados, que perceberam a capacidade de Caio não só na escrita, mas em contas matemáticas, e recomendaram que ele seguisse a orientação. Só que uma série não foi o suficiente para ele, e logo depois a escola já estava sugerindo que pulasse de ano novamente.

— Eu e meu marido ficamos com medo e levamos o Caio numa neuropsicóloga, para fazer os testes certos e ter certeza. A gente não estava acostumado com a situação. Minha preocupação era ele sentir um impacto. Não na parte de socialização, porque ele sempre foi muito tranquilo, mas no acompanhamento — explica Laurismara.

Ela conta que a neuropsicóloga ressaltou que não é normalmente recomendado que a criança pule duas séries, mas o caso de Caio era diferente. Na época, a família vivia em Três Rios (RJ), mas decidiram então se mudar para Juiz de Fora (MG) para que Caio pudesse pular o ano e estudar em uma escola maior que tivesse competições, como Olimpíadas de matemática.

Depois de alguns anos, em que acumulou uma série de medalhas, Caio ficou em primeiro lugar de um simulado voltado para os alunos do ensino médio, quando estava apenas no sétimo ano do ensino fundamental, com 11 anos. A escola então sugeriu que ele adiantasse todas as séries restantes e se formasse logo no ano seguinte, o que não era o que os pais e o Caio queriam.

Mas a recomendação não foi à toa, em 2020, com apenas 12 anos, o estudante gabaritou todas as provas da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar), sendo aprovado em primeiro lugar. Eles decidiram então pular apenas o oitavo ano e buscar uma escola ainda mais forte. Opções não faltaram, além da Epcar, mais de cinco instituições por todo o Brasil ofereceram bolsas para recebê-lo.

Foi aí que a família se mudou novamente, dessa vez para que Caio estudasse na escola Farias Brito, em Fortaleza (CE). É lá que ele cursa hoje o primeiro ano do ensino médio, com apenas 13 anos, e faz o preparatório para os vestibulares do IME e do ITA.

Educação é prioridade

As mudanças constantes não foram simples, mas os pais de Caio contam que investir na infraestrutura necessária para a educação do jovem sempre foi a prioridade.

— A gente não tinha condições de ir para outra cidade no início. Em Três Rios, a gente não pagava aluguel, a casa era dividida com meu pai. Então pensamos muito, vendi carro, vendi moto, porque, já que íamos para Juiz de Fora, então a gente tinha que ter um capital para investir no Caio — conta o pai.

Hoje, apesar de ter passado para administração, o jovem ainda quer fazer os três anos do ensino médio e, durante esse tempo, colecionar mais medalhas em olimpíadas e aprovações, como no curso de direito e medicina.

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