Conheça os tesouros da coleção de Gilberto Chateaubriand, uma das mais importantes do país

Foi na Bahia, em 1953, no ateliê do pintor modernista José Pancetti (1902-1958), que Gilberto Chateaubriand inaugurou o que viria ser uma das mais importantes coleções de arte do Brasil. Pancetti presenteou o diplomata e empresário com "Paisagem de Itapuã", uma de suas pinturas e, dali em diante, Chateaubriand tomou gosto por adquirir mais obras, comprando diretamente dos artistas quando ainda não havia um mercado de arte estabelecido no Brasil.

A coleção de Gilberto Chateaubriand, que morreu nesta quinta-feira (14), abrigava mais de 8 mil obras, incluindo trabalhos de Tarsila do Amaral, Maria Martins, Lasar Segall, Guignard, Candido Portinari, Iberê Camargo, Lygia Pape, Lygia Clark e Hélio Oiticica, entre muitos outros. O Museu de Arte Moderna do Rio, no Flamengo, guarda 6.630 obras dessa coleção. Parte delas, inclusive, está ao alcance do público na exposição "Nakoada: estratégias para a arte moderna", que fica em cartaz no museu até janeiro de 2023.

É dele, por exemplo, a tela "Urutu", também conhecida como "O ovo", pintada por Tarsila do Amaral em 1928. Com 60,5 x 72,5 cm, a pintura é um dos símbolos mais importantes do Movimento Antropófago, iniciado naquele ano a partir de um manifesto escrito por Oswald de Andrade. Foi exposta pela primeira vez na Galerie Percier, em Paris, e recebe o nome de uma serpente venenosa encontrada em algumas regiões do Brasil.

Assim como "Urutu", estão na exposição do MAM-Rio autorretratos icônicos que também pertenciam ao diplomata. É o caso dos autorretratos de Ismael Nery, Djanira, de Alberto da Veiga e de Emiliano Di Cavalcanti, datados de 1930, 1944, 1961 e 1969, respectivamente. De Di Cavalcanti, destaque também para "Mulata com leque", de 1939, que também integra a coleção.

Chateaubriand foi um dos primeiros colecionadores a a se interessar por obras de artistas que constituíam o movimento da Nova Figuração, no final dos anos 1960, como Glauco Rodrigues (1929 - 2004), Antonio Manuel, Rubens Gerchman (1942 - 2008) e Carlos Vergara (1941), pouco comercializados até então por conta do teor político de seus trabalhos. Nos anos 1990, incorporou à coleção trabalhos de fotógrafos importantes como Rosângela Rennó (1962) e Miguel Rio Branco (1946). Ele também tinha fotos de Malick Sidibé, retratista do Mali e um dos mais importantes fotógrafos africanos.

Uma peça rara do catálogo do colecionador é “B33 Bólide caixa 18 homenagem a Cara de Cavalo”, uma escultura feita de madeira, fotografia, náilon, acrílico, plástico e pigmentos, de autoria de Hélio Oiticica.

— O Jean (o marchand romeno Jean Boghici, de quem Chateaubriand comprou muitas obras da coleção) dizia que era a única peça que se arrependia de ter vendido — disse ao GLOBO, em 2015, o curador Luiz Camillo Osório.

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