Torcedores de Botafogo e Vasco têm motivos para se precoupar com resultados da Taça Rio?

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Já é mais do que sabido por torcedores do Vasco e do Botafogo que a Série B de 2021 será uma das, se não a mais, disputada da história. As equipes cariocas farão frente a Cruzeiro e Coritiba, dois campeões brasileiros, em um torneio tradicionalmente complicado, mesmo sem a presença de gigantes. Por isso mesmo, o início irregular das equipes na temporada tem preocupado alvinegros e cruz-maltinos a cerca de um mês da Segundona.

O Vasco, que só viu seu descenso se concretizar na última rodada do Brasileirão, apostou em Marcelo Cabo para comandar um elenco, que passou por uma tradicional "barca". Fernando Miguel e Yago Pikachu foram liberados para Atlético-GO e Fortaleza, respectivamente, e outros cinco jogadores foram avisados que não faziam parte dos planos: Henrique, Neto Borges, Werley, Marcos Junior e Lucas Santos.

A mudança abriu espaço para um maior aproveitamento de jovens da base cruz-maltina, como Gabriel Pec, Lucão e Galarza, que iniciaram o Carioca representando a equipe de São Januário. A nova comissão técnica optou por poupar os titulares em diversas oportunidades e viu um desempenho irregular no Estadual deixar o cruz-maltino fora da disputa pelo título, o que, por ora, não gera intranquilidade internamente. No sábado, Cabo optou por poupar novamente seus titulares e viu uma equipe recheada de garotos perder por 1 a 0 para o Madureira, no primeiro jogo da semifinal da Taça Rio.

— Fizemos um planejamento que no primeiro jogo atuaria a equipe B, o G2. E, no segundo jogo entraria a equipe principal, o G1. Isso é um planejamento como um todo para a temporada, talvez seja a última oportunidade para abrir uma ou duas semanas para dar ênfase técnica, tática e física à equipe. Quando a gente retomar a Série B e a Copa do Brasil, com certeza vai só jogar e recuperar os jogadores — explicou o técnico.

A situação como um todo é de tranquilidade no Vasco, muito em função das duas classificações na Copa do Brasil (contra Caldense e Tombense) e do impacto positivo que os reforços da temporada tiveram na equipe. Zeca resolveu uma longa deficiência na lateral esquerda, enquanto Morato e Léo Jabá deixaram boas impressões nas oportunidades que tiveram até o momento. A percepção geral é de que a montagem da equipe para o nacional está bem encaminhada e há totais condições para que o resultado de sábado seja revertido.

— O que me trouxe foi muita confiança nesses jogadores. Tiveram competitividade o jogo todo e quase empatamos no fim. A nossa convicção é muito grande no nosso planejamento — reforçou Cabo.

No Botafogo, o cenário não chega a ser de temor após o empate por 0 a 0 com o Nova Iguaçu, mas há ares de preocupação rondando General Severiano há semanas. No centro dessas incertezas está o técnico Marcelo Chamusca, que teve semana livre para treinar o elenco. Com a Série B se aproximando, encontrar a equipe ideal torna-se uma necessidade.

Assim como o rival de São Januário, o alvinegro fez sua barca e cortou custos. Com a queda confirmada com antecedência, adiantou o planejamento. Antes do fim do Brasileiro, Chamusca já estava contratado e alguns garotos já davam seus primeiros passos no time principal. No caso do Botafogo, porém, a atividade no mercado de transferências foi maior: até o momento, são 12 reforços contratados.

— De fato, conseguimos melhorar em vários aspectos, no físico, tático, time mais consistente, encorpado, mas é claro que são jogadores jovens, terminamos jogo com seis atletas formados no clube. Kanu, Souza, PV, Romildo, Nascimento e Ênio. Então são jovens que acabam ficando ansiosos, faz parte do processo de maturação. Não ficamos satisfeitos, mas são 180 minutos, temos mais 90 minutos para vencer e avançar para a final do campeonato — analisou Chamusca, após a partida contra a equipe da Baixada.

A eliminação na Copa do Brasil, contra o ABC, no último dia 14, pesa na avaliação do trabalho do técnico, ainda que ele tenha recebido respaldo público de Eduardo Freeland, diretor de futebol. Os oito empates na temporada, alvos de críticas dos torcedores, não estão longe dos seis do Vasco, por exemplo. Para o Botafogo, é importante que reforços como Frizzo, Ronald e Felipe Ferreira consigam encontrar um ritmo parecido com os de Douglas Borges, Jonathan e Pedro Castro, gratas surpresas entre os contratados.

Entre os jovens, a joia Matheus Nascimento, de apenas 17 anos, vem ganhando espaço na equipe, dada a saída de Matheus Babi e as indisponibilidades de Rafael Navarro. Para que Nascimento desenvolva seu futebol na plenitude, o Botafogo precisa encontrar a mesma fómula que lhe será benéfica para fazer uma boa Série B, ainda que mirando o quarto lugar, como projetou o CEO Jorge Braga: tranquilidade, entrosamento e um padrão de jogo coeso, polido — talvez a tarefa mais difícil em meio à cobrança pelos resultados.

— Vínhamos tendo dificuldades, muitos jogadores chegaram e encaixaram uma temporada na outra, não tiveram tempo de treinar. Melhoramos no aspecto físico e no tático estamos apresentando mecânica, uma nova forma de jogar para tentar o máximo possível jogo de imposição, ser propositivo, ter mais posse de bola. Agora, você não ganha o jogo e tem que justificar por que não ganhou. Ou você ganha ou tem que justificar por que não ganhou. No futebol é assim — desabafou o técnico, no domingo.