Oscar 2020: sete momentos feministas da cerimônia

O Oscar chegou com críticas à falta de mulheres entre os indicados ao prêmio de Direção e de pessoas negras na lista de indicados em geral. Felizmente, a cerimônia entrou para a História como o Oscar que consagrou um filme e um diretor sul-coreano nas principais categorias — uma prova de diversidade. Mas, como tem sido regra na temporada de premiações nos últimos anos, lá estavam as mulheres para lembrar que, sim, é preciso igualdade de gênero, que as oportunidades devem ser iguais. Este foi um Oscar sem diretoras indicadas, mas com vaginas, super heroínas, performance de mulheres negras, o pioneirismo de duas compositoras e cabelos cacheados premiados.

Oscar 2020:veja lista completa de vencedores

Celina listou sete momentos em que as mulheres foram o assunto da premiação.

A atriz Natalie Portmanbordou na capa de seu vestido os nomes de diretoras esnobadas pelo Oscar em 2020. Entre os nomes bordados estava o de Greta Gerwig, diretora de "Adoráveis Mulheres", indicado a Melhor Filme mas não a Melhor Direção. Natalie também homenageou Melina Matsoukas ("Queen & Slim"), Marielle Heller ("Um lindo dia na vizinhança"), Lorene Scafaria ("Atlantique"), Alma Har'el ("Honey Boy") e Céline Sciamma ("Retrato de uma jovem em chamas"). Não custa lembrar que esta não é a primeira vez que Natalie Portman se manifesta pela igualdade de gênero em uma premiação de Hollywood. No Globo de Ouro de 2018, ao apresentar os indicados ao prêmio de Melhor Direção, a atriz disse: "E aqui estão todos os homens indicados".

Ao comentar a ausência de mulheres na categoria de Direção, Steve Martin e Chris Rock disseram que "algo estava faltando este ano". E o que era? "Vaginas", afirmaram os dois. Desde que a atriz Gwyneth Paltrow colocou à venda em seu site Goop uma vela com o cheiro de sua vagina, Hollywood tomou gosto pela palavra — a vela esgotou em poucos dias. No BAFTA, a comediante australiana Rebel Wilson arrancou gargalhadas da plateia ao fazer piada sobre o apelido de sua vagina. No Twitter houve quem achasse graça e quem julgasse os comentários de mau gosto. O é curioso perceber que, muitos comentaristas do Oscar na mídia americana preferiram usar a expressão "v word". Entre piada e tabu, a sexualidade feminina continua um assunto constrangedor para muita gente, mesmo que já tenha chegado ao Oscar.

Janelle Monáe e Billy Porter dividiram o palco no número musical que abriu a cerimônia. Ela deu “parabéns às mulheres e queers” que compõem a indústria do cinema e apresentaram “produções incríveis”. Recado dado.

"Hair Love"ganhou o prêmio de Melhor Curta de Animação pela abordagem emocionante da relação de uma menina negra com seu cabelo cacheado. O cabelo é uma questão de identidade, e muitas mulheres negras têm uma relação de amor e ódio com o seu. Para serem aceitas em mundo onde o racismo impera, passaram anos recorrendo a alisamentos e relaxamentos. Graças ao feminismo negro estão fazendo as pazes com os cachos em um processo de aceitação e de construção de autoestima.

Brie Larson, Sigourney Weaver e Gal Gadot — Capitã Marvel, Tenente Ripley e Mulher Maravilha — subiram ao palco juntas e afirmaram que todas as mulheres são super heroínas. As três apresentaram a maestrina e compositora Eímear Noone, a primeira mulher a reger a orquestra do Oscar em 92 anos de história da premiação. Ela é irlandesa, compôs a trilha do jogo "World of Warcraft", e também foi a primeira a reger a Orquestra Nacional de Dublin. Sobre seu pioneirismo no Oscar, Noone afirmou: "Meninas em todos os lugares vão ver e dizer: eu posso fazer isso".

Por falar em música, a compositora islandesa Hildur Guonadottir, responsável pela trilha de "Coringa", levou o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original. Ela foi a quinta mulher a vencer sozinha essa categoria em 92 anos de premiação. Em janeiro, Guonadottir foi a primeira mulher a vencer a mesma categoria no Globo de Ouro. Este ano, ela também ganhou o BAFTA e o Critics' Choice Awards por "Coringa"; no Grammy foi premiada pela trilha da série "Chernobyl".

Jane Fonda apresentou o Oscar de Melhor Direção usando um vestido do estilista libanês Elie Saab que ela já tinha usado em 2014 no Festival de Cannes. Antes do Oscar, Fonda usou o Twitter para dizer que usaria joias Pomellato porque a marca "usa apenas ouro vindo de mineração ética e diamantes sustentáveis. A atriz também subiu ao palco do Dolby Theatre com o casaco vermelho que costuma usar em seus protestos semanais pela falta de ação do governo americano diante da emergência climática. OK, sabemos que há esforços para que o Oscar se torne uma festa sustentável e que Jane Fonda já havia anunciado que nunca mais compraria roupas, mas... Estudos recentes do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas afirmam que as mulheres são as mais prejudicadas pelas mudanças climáticas. Feminista histórica, Jane Fonda não ficaria de fora dessa luta.