Oscar 2021: Conheça as indicadas a Melhor Atriz

Natália Bridi
·9 minuto de leitura

A seleção de indicadas ao Oscar de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante é bastante diversa em 2021, com atrizes jovens e veteranas dividindo o espaço e trazendo luz a papéis que representam a complexidade feminina para além dos clichês estabelecidos pela própria Hollywood. 

A seguir falo mais sobre cada uma das candidatas a uma estatueta no prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas deste ano:

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Melhor Atriz

Viola Davis ("A Voz Suprema do Blues")

Indicações anteriores ao Oscar: 3, sendo 2 como Melhor Atriz Coadjuvante (A Dúvida, Um Limite Entre Nós) e 1 como atriz principal (Histórias Cruzadas)
Estatuetas que levou para casa: 1 (Melhor Atriz Coadjuvante por Um Limite Entre Nós)

Uma das favoritas na categoria, tendo também levado o SAG por sua interpretação de Ma Rainey em A Voz suprema do Blues, Viola Davis levou seu maquiador pessoal, Sergio Lopez-River, para recriar o visual da cantora lendária no filme. Também indicada ao Oscar pelo trabalho, a equipe de Cabelo e Maquiagem estudou como dar à atriz os dentes de ouro e a maquiagem de aparência oleosa usada por Ma Rainey na época, além da sua peruca feita de crina de cavalo. 

Usando ainda pesados enchimentos, Davis conta que todos esses elementos foram fundamentais para sua atuação e contribuíram para que se sentisse empoderada no papel. “Algo foi liberado em mim ao interpretá-la”, conta a atriz.

Andra Day - ("Estados Unidos Vs Billie Holiday")

FEBRUARY 28th 2021: 78th Golden Globe Awards Winners - Andra Day wins the award for Best Actress in a Drama Motion Picture for
Andra Day. Foto: zz/Dennis Van Tine/STAR MAX/IPx 2018

Indicações anteriores ao Oscar: 0

Para o seu primeiro grande papel no cinema em Estados Unidos Vs Billie Holiday, a cantora contou com a ajuda da técnica em atuação Tasha Smith e mergulhou profundamente no estilo de vida boêmio de Billie Holiday. Andra Day perdeu 17 quilos no processo e passou a fumar e beber para encarar o filme que narra como a lenda do jazz foi perseguida pelo departamento de narcóticos dos EUA.

 A preparação foi tão desgastante que Day considerou desistir da carreira de atriz por não achar que sobreviveria a outra investida assim.

Vanessa Kirby - ("Pieces of a Woman")

Actress Vanessa Kirby poses for photographers at the photo call for the film 'The World To Come' during the 77th edition of the Venice Film Festival in Venice, Italy, Sunday, Sept. 6, 2020. (Photo by Joel C Ryan/Invision/AP)
Vanessa Kirby. Foto: Joel C Ryan/Invision/AP

Indicações anteriores ao Oscar: 0

O diretor Kornél Mundruczó revela ter sido difícil encontrar a protagonista de Pieces of a Woman, filme que mostra uma jovem mãe lidando com o luto pela morte do seu bebê minutos após o parto. A dor seria próxima demais para as atrizes que já são mães e muito distante para quem ainda não tem filhos. Com Vanessa Kirby, conhecida do grande público por sua atuação como a jovem princesa Margaret em The Crown, o cineasta, que adapta no longa a peça escrita por sua esposa Kata Weber, encontrou a força que precisava, com a atriz estudando partos para executar com precisão o papel. 

O estudo foi essencial para a composição da personagem e para encarar o plano-sequência de 24 minutos que abre o filme. O longo trecho que mostra o parto foi feito em seis takes nos dois primeiros dias de filmagem, o que a atriz diz ter sido positivo para tornar a sua interpretação mais vulnerável.

Frances McDormand - ("Nomadland")

This image released by Searchlight Pictures shows Frances McDormand in a scene from the film
Frances McDormand. Foto: Searchlight Pictures via AP

Indicações anteriores ao Oscar: 5, sendo 3 como atriz coadjuvante (Mississippi em Chamas, Quase Famosos, Terra Fria) e 2 como atriz principal (Fargo e Três Anúncios para um Crime)
Estatuetas que levou para casa: 2 (Fargo e Três Anúncios para um Crime)

Nomadland carrega a assinatura lírica/realista da sua diretora Chloé Zhao, mas também é 100% um filme de Frances McDormand, que viu no livro da jornalista Jessica Bruder a chama de uma antiga promessa que fizeram em tom de piada para o marido Joel Coen: quando fizesse 65 anos, ela mudaria seu nome para Fern, mudaria para um trailer e passaria a fumar Lucky Strikes e beber Wild Turkey.

A atriz, que além da indicação por sua atuação em Nomadland, também concorre na categoria de Melhor Filme por assinar a produção do longa, comprou os direitos de adaptação do livro em 2017 e escolheu Zhao como diretora depois de ver seu trabalho em Domando o Destino. Atuando ao lado de atores não profissionais, nômades de verdade, McDormand entrega um de seus trabalhos mais serenos e encara um espaço raro para atrizes com mais de 60 anos: uma protagonista completa que foge dos clichês impostos por Hollywood e segue o próprio rumo.

Carey Mulligan - ("Bela Vingança")

Nominees for the 93rd Annual Academy Awards (Oscars) - ceremony to be held Sunday, April 25th 2021 - Carey Mulligan nominated for Best Actress In A Leading Role for
Carey Mulligan. Foto: zz/John Nacion/STAR MAX/IPx 2018

Indicações anteriores ao Oscar: 1 (Educação)

Quando recebeu o roteiro de Bela Vingança, Carey Mulligan diz que ficou tão intrigada a ponto de que seria devastador ver outra pessoa interpretando Cassie, a ex-estudante de medicina em busca de vingança pelo estupro da sua melhor amiga. Ao mesmo tempo, não sabia se ainda seria aceita no papel de uma jovem adulta sem filhos, já que seus últimos trabalhos a colocavam na posição de mãe. 

Para sua preparação, porém, Mulligan abriu mão de longo processo de pesquisa e escolheu trabalhar próxima da diretora e roteirista Emerald Fennell. “Não estou interpretando alguém que existe, então ao invés de pesquisa, há muita invenção”. A história de Cassie, explica, começa com amor, uma amizade incrível, e a vingança é uma consequência dessa perda.

Atriz Coadjuvante

Maria Bakalova - Borat: Fita de Cinema Seguinte

UNSPECIFIED: In this screengrab released on April 22, Maria Bakalova speaks during the 2021 Film Independent Spirit Awards broadcast on April 22, 2021. (Photo by Rich Fury/Getty Images for Film Independent)
Maria Bakalova. Foto: Rich Fury/Getty Images for Film Independent

Indicações anteriores ao Oscar: 0

Para conquistar o papel da filha de Borat na continuação da comédia estrelada por Sacha Baron Cohen, a búlgara Maria Bakalova enfrentou mais de 600 candidatas. Os testes envolviam atividades aparentemente esdrúxulas, como comer um peixe direto do aquário ou fingir que nunca tinha visto uma porta, mas que dentro da proposta do filme, uma mistura de farsa e documentário, acabam se tornando pré-requisitos. Em uma das cenas mais marcantes do longa, a jovem de 24 anos entrevista com Rudy Giuliani, advogado pessoal de Donald Trump. 

No trecho, Giuliani aparece abrindo a calça em um quarto de hotel na presença da jovem quando é interrompido pelo personagem de Baron Cohen. Para complicar ainda mais a situação, Giuliani havia se negado a fazer um teste para COVID-19, deixando a equipe apreensiva. Depois de ser consultada se estava disposta a continuar, Bakalova aceitou o risco. O resultado é um momento de extremo desconforto, mas que mostra o alcance da jovem atriz, que também é a responsável por trazer uma camada sentimental para o novo capítulo da comédia.

Glenn Close - ("Era uma Vez um Sonho")

Glenn Close arrives at the 77th annual Golden Globe Awards at the Beverly Hilton Hotel on Sunday, Jan. 5, 2020, in Beverly Hills, Calif. (Photo by Jordan Strauss/Invision/AP)
Glenn Close. Foto: Jordan Strauss/Invision/AP

Indicações anteriores ao Oscar: 7, sendo 3 como atriz coadjuvante (O Mundo Segundo Garp, O Reencontro, Um Homem Fora de Série) e 4 como protagonista (Atração Fatal, Ligações Perigosas, Albert Nobbs e A Esposa)

Estatuetas que levou para casa: 0

Indicada pelo mesmo papel ao Framboesa de Ouro (o infame “Oscar dos piores filmes”), Glenn Close já carrega o título de injustiçada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, chegando a sua 8ª indicação sem levar nenhuma estatueta para casa. Seu envolvimento em Era uma Vez um Sonho começou quando a atriz descobriu que Ron Howard adaptaria as memórias de J. D. Vance, que ela já havia lido muito antes do filme ser anunciado. 

Close enviou um recado para Howard, com quem trabalhara em O Jornal (1994), pedindo uma chance no filme. A resposta afirmativa a colocou em posição de ataque, enviando notas para a roteirista Vanessa Taylor e levando o seu próprio time de maquiadores, com quem trabalharam em Albert Nobbs, para transformá-la na matriarca Mamaw. Segundo a atriz, transformar sua aparência lhe dá mais liberdade para atuar, permitindo que o personagem viva através dela.

Olivia Colman - ("Meu Pai")

Olivia Colman arrives at the Oscars on Sunday, Feb. 9, 2020, at the Dolby Theatre in Los Angeles. (Photo by Jordan Strauss/Invision/AP)
Olivia Colman. Foto: Jordan Strauss/Invision/AP

Indicações anteriores ao Oscar: 1 (A Favorita)

Estatuetas que levou para casa: 1 (A Favorita)

A atriz britânica já é uma veterana no cinema e na TV, ainda que seu reconhecimento em Hollywood seja recente. Premiada por sua atuação como a Rainha Ana em A Favorita e elogiada por sua versão da Rainha Elizabeth em The Crown, a atriz aceitou o papel de apoio em Meu Pai como uma homenagem a sua mãe, enfermeira no Reino Unido dedicada aos cuidados com pacientes que sofrem de demência como o personagem de Anthony Hopkins

Colman conta que queria refletir no papel a agonia e os conflitos presentes em quem tem um familiar nessa situação.

Amanda Seyfried - ("Mank")

Amanda Seyfried attends the LA premiere of
Amanda Seyfried. Foto: Richard Shotwell/Invision/AP

Indicações anteriores ao Oscar: 0

Apesar de mais conhecida do público por filmes como Meninas Malvadas (2004) e Mamma Mia!, Amanda Seyfried há anos trilha um caminho que eventualmente levaria ao seu reconhecimento pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. 

Seu momento chegou com o desafio imposto pelo perfeccionista David Fincher, com cenas que levaram até 200 takes ao longo de uma semana para serem concluídas, e sua resposta à altura como Marion Davies. Encarnando o velho glamour de Hollywood, Seyfried é um ponto de luz no filme e a principal responsável por trazer um pouco de vida a um longa extremamente técnico.

Yuh-Jung Youn - ("Minari")

ARCHIVO - Yuh Jung Youn posa durante la promoción de la película
ARCHIVO - Yuh Jung Youn. Foto: Taylor Jewell/Invision/AP

Indicações anteriores ao Oscar: 0

Estrela na Coreia do Sul, onde tem uma carreira de décadas no cinema e na TV, Yuh-Jung Youn sentia que precisava provar seu talento nos EUA. A atriz recebeu o roteiro do diretor Lee Isaac Chung e os dois começaram a se reunir regularmente para construir Soonja, já que o diretor não queria que a personagem fosse apenas uma versão da sua própria avó. 

A colaboração gerou uma personagem rica, que foge dos estereótipos do que seria uma matriarca no conceito norte-americano, um elemento essencial na narrativa do longa. Responsável por algumas das melhores cenas de Minari, a atriz já levou o SAG de Melhor Atriz Coadjuvante e dispara como a favorita para a estatueta do Oscar, provando de vez que o seu talento deve ser apreciado globalmente.