Oscar 2021 mostra primeiros suspiros de renovação no meio do caos da pandemia

Thiago Romariz
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Oscar 2021 mostra primeiros suspiros de renovação no meio do caos da pandemia. Foto:Todd Wawrychuk/A.M.P.A.S. via Getty Images
Oscar 2021 mostra primeiros suspiros de renovação no meio do caos da pandemia. Foto:Todd Wawrychuk/A.M.P.A.S. via Getty Images

O Oscar 2021 ter existido é um milagre da ciência. A aceleração da vacinação nos EUA por si só é motivo de comemoração não só da Academia, mas de toda indústria do cinema. E na cerimônia que premiou "Nomadland" como "Melhor Filme", vimos também os primeiros suspiros de uma possível renovação dentro dos votantes do Oscar; e não só pelos rostos novos, mas pelos formatos e temáticas premiadas.

A consagração da noite foi a coroação de Chloe Zhao e Frances McDormand, dupla responsável por Nomadland, a jornada sutil e dramática de uma mulher de meia-idade soterrada na crise de 2008. Crítico ao modelo feroz do capitalismo americano, o filme foi um dos dedos na ferida durante a cerimônia, que ainda premiou Emerald Fennell por Bela Vingança, suspense sobre abuso e feminicídio. A trinca principal pode ser fechada por Judas e o Messias Negro, que conta a história do líder dos Pantera Negra Fred Hampton, vivido pelo agora oscarizado Daniel Kaluuya.

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E ainda que não tenha saído de forma gloriosa da noite, a Netflix acumulou sete estatuetas, entre elas Melhor Documentário de Fotografia, para Professor Polvo e Mank, respectivamente. Outros streamings também se fizeram presentes: Amazon com o ótimo Som do Silêncio, que levou Melhor Som e Melhor Montagem, e o Disney+ com Soul, a Melhor Animação da Noite. Se nos anos anteriores esse tipo de lançamento era raridade, agora ficou evidente: o streaming não sairá do holofote tão cedo.

Desde que movimentos sociais como Time's Up e Oscar So White movimentaram Hollywood, essa cerimônia mostrou um vislumbre do que pode ser uma premiação mais moderna. E a fórmula para mudar as coisas não está somente em diversidade ou novos formatos, mas na combinação de ambos na busca por um novo estado do que significa arte e comunicação nos nossos tempos. Continuam sendo pequenos e primeiros passos de uma longa caminhada, mas que ao menos estão sendo executados.

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*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.