Oscar 2021 tem a pior audiência televisiva da história da cerimônia

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"Nomadland" de Chloe Zhao foi o grande vencedor do Oscar

A audiência do Oscar deste ano despencou em mais da metade, alcançando uma nova média mínima de 9,85 milhões de telespectadores nos Estados Unidos, informou a rede de televisão ABC nesta segunda-feira (26).

A enorme queda de 58,3% referente a 23,6 milhões, o mínimo histórico alcançado no ano passado, era amplamente esperada para a maior noite da indústria cinematográfica de Hollywood. Outras premiações realizadas durante a pandemia também sofreram baixas desastrosas na audiência.

Com os cinemas fechados na maior parte do ano e vários filmes com expectativa de grande sucesso, estrelados por atores renomados, adiados, uma safra menos conhecida de indicados competiu na cerimônia de domingo, em que "Nomadland", de Chloé Zhao, foi o grande vencedor.

O filme recebeu três estatuetas, embora tenha arrecadado pouco mais de 2 milhões de dólares na bilheteria local.

Vários filmes destinados a ser grandes sucessos e cujas estrelas poderiam ter atraído interesse no Oscar deste ano tiveram suas datas de lançamento adiadas para o próximo ano devido à pandemia. É o caso de "West Side Story", de Steven Spielberg, e da ficção científica de alto orçamento "Dune", junto com uma variedade de blockbusters de super-heróis.

Esse êxodo abriu espaço para um grupo de atores menos reconhecidos liderar as indicações e competir na cerimônia de domingo. Daniel Kaluuya e Youn Yuh-jung ganharam os prêmios de ator e atriz coadjuvante um ano após Brad Pitt e Laura Dern serem premiados.

Entre os que não compareceram à cerimônia estava Anthony Hopkins, que surpreendeu ao triunfar como melhor ator por "Meu Pai", um prêmio que se esperava que fosse para o falecido Chadwick Boseman por "A Voz Suprema do Blues". A categoria foi o prêmio final da noite.

O Oscar geralmente termina com a distinção de melhor filme, com muitos espectadores apontando que a falta de um discurso de aceitação no grande final da cerimônia foi outro elemento do anticlímax.

"Aos 83 anos, eu não esperava receber este prêmio, realmente não esperava", disse Hopkins em um vídeo postado em sua página do Instagram na manhã desta segunda-feira. "Quero prestar homenagem a Chadwick Boseman, que foi tirado de nós muito cedo", acrescentou ele.

- Críticas mistas -

Pouco ortodoxa, a cerimônia do Oscar deste ano foi realizada em uma grandiosa estação de trem de Los Angeles, em vez do tradicional teatro de Hollywood, com o objetivo de cumprir os protocolos impostos devido à pandemia de covid-19. As estrelas de Hollywood se reuniram pela primeira vez em mais de um ano.

As críticas à transmissão foram mistas, com muitos reclamando da falta de humor e das apresentações musicais que costumam fazer parte do evento.

Enquanto muitos Oscars começam com monólogos amordaçados, os produtores este ano recorreram a Regina King, que foi uma das muitas estrelas que falou sobre racismo e violência policial, em referência à condenação na semana passada do policial de Minneapolis Derek Chauvin pelo assassinato de George Floyd.

A Variety criticou a decisão da Academia de não ter um anfitrião pelo terceiro ano consecutivo, chamando a cerimônia de "perdida e não guiada".

Mas a decisão de remover os números musicais e a maioria dos clipes dos filmes indicados, além de permitir que os vencedores falassem bastante sem serem apressados no palco, recebeu alguns elogios.

O Deadline classificou a cerimônia como "relativamente rápida e profundamente pessoal" e uma "verdadeira revitalização de Hollywood".

A queda de telespectadores também vem de uma tendência geral de baixas de vários anos para o Oscar, que ultrapassava 43 milhões de espectadores em 2014. O público, porém, tem se tornado cada vez mais fragmentado na era do streaming.

A contagem de visualizações de 9,85 milhões de telespectadores é baseada nos primeiros dados da Nielson solicitados pela ABC, mas espera-se para terça-feira a publicação oficial das cifras.

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