Oscar 2023: cheia de novatos, lista de indicados mostra Academia com vontade de fazer a fila andar

Desde 2015, quando foi criada a hashtag #OscarsSoWhite (Oscar tão branco), que poderia tranquilamente ter vindo acompanhada das hashtags “tão macho” e “tão velho”, a Academia de Hollywood tem investido com firmeza em sua bem-vinda política de aumento da diversidade.Os convites para ingresso nesse clube de elite do cinema americano vêm contemplando, ano a ano, diversas minorias. As indicações de 2023, assim como os finalistas das três temporadas anteriores, já refletem um pouco dessa nova ordem. Em tese, ela será aprofundada até o final da década.

Oscar 2023: confira a lista completa dos indicados

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Ao oferecer generosas dez vagas, a categoria principal corresponde mais uma vez a uma vitrine desse colorido que, longe de ser ideal, revela coordenadas em transformação no colégio eleitoral da Academia. Antes “tão americano”, por exemplo, ele agora flerta regularmente com o cinema internacional.

Duas produções estrangeiras — o alemão “Nada de novo no front” e o sueco “Triângulo da tristeza” — disputam o prêmio de melhor filme. O primeiro concorre em outras oito categorias, incluindo a de filme internacional; o segundo valeu a Ruben Östlund (“The square”) indicações como diretor e roteirista.

Os britânicos, tradicionalmente respeitados, marcam presença com um filme de autor, “Os Banshees de Inisherin”. “Tár”, embora americano, reforça o time dos “outsiders” e tem protagonismo feminino, mas o principal candidato com esse perfil é “Entre mulheres” — escrito, dirigido, produzido e estrelado por elas.

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A diversidade prossegue com os asiáticos de “Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo”. “Elvis” tem um pé na Austrália do diretor Baz Luhrmann. Para a “velha” e puro-sangue Hollywood, restaram três bilhetes: “Avatar: o caminho da água” e “Top gun: Maverick”, as duas maiores bilheterias de 2022, e “Os Fabelmans”.

Seria um pouco demais esperar que o britânico-americano “Aftersun” estivesse entre os dez candidatos a melhor filme, mas a indicação do irlandês Paul Mescal ao prêmio de ator principal já configura um extraordinário reconhecimento ao multipremiado e ultrafeminino longa de estreia da escocesa Charlotte Wells.

Ineditismo

Dessa categoria, aliás, virá novidade, porque Mescal e seus quatro adversários — o também irlandês Colin Farrell, o inglês Bill Nighy e os americanos Brendan Fraser e Austin Butler — foram todos indicados pela primeira vez. Faltaram boas atuações de veteranos? Sobrou vontade de fazer andar a fila.

Quase a mesma situação repete-se entre os candidatos ao prêmio de ator coadjuvante. Apenas Judd Hirsch conhece o gostinho de ser indicado (e há mais de 40 anos, como o terapeuta de “Gente como a gente”).

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Entre as dez atrizes indicadas nas duas categorias, a única que já recebeu o Oscar é Cate Blanchett. Duas foram anteriormente indicadas (Michelle Williams e Angela Bassett) e as demais sete candidatas saboreiam a honraria pela primeira vez. Logo, entre 20 atores e atrizes que disputam o prêmio este ano, 19 jamais ganharam o Oscar e 16 vão estrear na festa. Troca de guarda em andamento.

A curva da novidade estende-se a outras disputas, como a de direção. Steven Spielberg é o único concorrente a saber o gosto de ser indicado (em outras oito ocasiões) nessa categoria; venceu duas vezes. Seus cinco adversários (“Tudo em todo o lugar...” tem dois diretores) são novatos no páreo.

Mais ineditismo? Portugal, pela primeira vez, disputa o prêmio, com o curta de animação “Ice merchants”, de João Gonzalez. Quem estiver disposto a torcer como se fosse Copa do Mundo tem essa opção e, claro, o ótimo “Argentina, 1985” na categoria filme internacional — seria o terceiro dos hermanos. Vai que é sua, Darín!