Oscar reúne estrelas em uma cerimônia de gala única com "Nomadland" favorita

Andrew MARSZAL
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A entrega dos prêmios Oscar neste domingo (25) será única: transmitida ao vivo de uma estação de trem, agraciará filmes que poucos viram nos cinemas e reunirá as maiores estrelas de Hollywood pela primeira vez após mais de um ano de pandemia.

Chloe Zhao, cujo drama "Nomadland" sobre pessoas que percorrem os Estados Unidos em picapes em busca de sustento, é uma das indicadas que deixará seu isolamento prolongado para comparecer pessoalmente à maior noite de Hollywood.

"Queremos ver nossos amigos! Temos muitos amigos indicados este ano e estamos muito animados para vê-los", disse Zhao, cujo filme é favorito na categoria de melhor filme e compete por outras cinco estatuetas.

No entanto, o glamour das estrelas desfilando com joias e vestidos de grife terá pouco impacto, porque os organizadores prometeram um "pequeno tapete vermelho".

A lista de convidados é muito limitada. Mesmo os executivos dos estúdios terão de assistir à cerimônia pela televisão e a maior parte da imprensa de Hollywood estará ausente, algo que pode ser do gosto de alguns indicados.

"Acho que haverá mais liberdade" para as estrelas que forem, comentou à AFP o repórter da Variety Marc Malkin.

Segundo informações, os artistas terão permissão para remover suas máscaras quando estiverem diante das câmeras.

"De qualquer maneira vai haver um constrangimento, tipo 'até que ponto devemos nos aproximar? Vamos nos abraçar?'", comentou Malkin.

- 'No ar' -

"Nomadland", que conquistou as principais premiações da temporada, chega ao Oscar como o filme favorito mais óbvio em anos. Zhao também buscará se tornar a segunda mulher a vencer como melhor diretora.

Com cinemas fechados o ano todo e grandes produções atrasadas, seu filme - assim como os rivais "Minari" e "O Som do Silêncio" - capturou o "zeitgeist" da pandemia em um retrato impressionante dos marginalizados da sociedade.

"Bela Vingança" e "Os 7 de Chicago" tocam em questões relevantes nestes tempos, como o movimento #MeToo e os protestos contra o racismo, mas é pouco provável que ganhem o prêmio principal da noite.

A competição nas categorias de atuação promete mais tensão e é realista prever que os quatro prêmios irão para não-brancos, depois de anos de denúncias de racismo na Academia com hashtags como #OscarsSoWhite.

Na categoria de melhor atriz, as cinco candidatas, incluindo Viola Davis ("A Voz Suprema do Blues") e Carey Mulligan ("Bela Vingança"), conquistaram grandes prêmios este ano.

O co-protagonista de Davis, Chadwick Boseman, que faleceu de câncer no ano passado antes da estreia do filme, onde interpreta um trompetista atormentado por atos racistas hediondos, é um dos favoritos para ganhar o terceiro Oscar póstumo da história para um ator.

Mas Anthony Hopkins, que interpreta um senho com demência em "Meu Pai", pode ser uma surpresa.

Para ator coadjuvante, tudo indica que Daniel Kaluuya vai ganhar a estatueta por "Judas e o Messias Negro", enquanto a veterana atriz sul-coreana de "Minari" Youn Yuh-jung chega como favorita para melhor atriz coadjuvante.

Uma eventual vitória de "Os 7 de Chicago" ou "Mank" daria à Netflix o maior prêmio da indústria pela primeira vez, assim como a Amazon se ganhar por "O Som do Silêncio".

A Netflix deve levar para casa o maior número de prêmios da noite, incluindo o de melhor documentário por "Professor Polvo".

- "Oportunidade" -

O evento culminante da temporada de premiações de Hollywood foi adiado por dois meses e será realizado principalmente na Union Station de Los Angeles, escolhida por seus amplos espaços para aplicar o distanciamento social nesta gala da era covid-19.

Dada as circunstâncias únicas, o 93º Oscar deixará uma grande marca: a entrega de prêmios honorários e números musicais serão divididos entre um teatro de Hollywood e o novo Museu do Cinema da Academia, enquanto os indicados europeus que não puderam viajar para o Os Estados Unidos se reunirão nos "centros" de Londres e Paris.

Mas a entrega das cobiçadas estatuetas douradas acontecerá na estação dos anos 1930.

O co-produtor do evento, o diretor Steven Soderbergh, descreveu as mudanças exigidas pela covid-19 como uma "oportunidade" para uma gala diferente de "tudo o que foi feito antes".

A cerimônia terá "a estética de um filme em contraposição a um programa de televisão" e, entre seus apresentadores, estarão Harrison Ford e Brad Pitt.

"Parabéns à Academia por pelo menos tentar algo como um show ao vivo, sem Zoom", disse Hammond.

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