Osso de ave decorado sugere que Neandertal tinha senso estético (estudo)

(Arquivo) Francesco d'Errico, paleontologista da Universidade de Bordeaux, em 4 de novembro de 2014

Uma peça óssea de corvo decorada de 40.000 anos de antiguidade encontrada na Ucrânia sugere que os homens de Neandertal tinham senso estético, afirmaram pesquisadores franceses na quarta-feira.

Sabe-se que os homens de Neandertal, parentes do homem moderno que desapareceram há cerca de 38.000 anos, utilizavam pigmentos, recolhiam penas e conchas, e às vezes enterravam seus mortos com objetos.

Uma peça óssea de 1,5 centímetro, encontrada em um sítio arqueológico na Crimeia, Ucrânia, sugere que os homens de Neandertal podem ter gravado linhas intencionalmente com finalidades simbólicas ou decorativas, de acordo com o estudo francês publicado na revista científica Plos One.

Uma análise microscópica mostrou que o autor destas marcas adicionou inicialmente seis sulcos na peça, e outros dois mais tarde.

Ele teria percebido que tinha deixado muito espaço entre algumas das primeiras marcas, e acrescentou outras duas depois, de modo que a distância entre todos os cortes ficou igual, disse à AFP Francesco d'Errico, paleontólogo da Universidade de Bordeaux e autor principal do estudo.

"Podemos deduzir que o homem de Neandertal realizava gravações com a intenção de criar motivos visuais harmônicos e talvez simbólicos", disse o pesquisador.

"Havia pelo menos alguma razão estética para estas marcas devido à sua regularidade, e o fato de tê-las realizado de maneira deliberada requer um certo nível de conhecimento", acrescentou.

O estudo foi descrito como "o primeiro a proporcionar evidência direta de modificações intencionais com fins simbólicos em um osso de pássaro", apontou um comunicado da revista.

O homem de Neandertal viveu há aproximadamente 200.000 anos, e seus últimos rastros remontam a cerca de 38.000 anos atrás. Os humanos modernos herdaram entre 2% e 4% dos seus genes.