'Osso é vendido não dado': açougue é obrigado a retirar cartaz pelo Procon

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Raw meat in the window shop in the market.
Foto: Getty Images
  • Placa estava exposta em estabelecimento de Florianópolis

  • Diretor do órgão chamou de 'desumano' vender ossos

  • 'As pessoas não estão mais comprando carne' com aumento do preço dos alimentos

Por orientação do Procon (Procuradoria de Proteção e Defesa do Consumidor), um açougue em Florianópolis, Santa Catarina, retirou uma placa que dizia “Osso R$ 4,00 Kg. Osso é vendido e não dado", e gerou polêmica nas redes sociais nesta semana.

Na terça-feira (5), o órgão realizou uma visita no local e o cartaz foi retirado imediatamente, segundo o diretor do Procon, Tiago Silva. O estabelecimento foi autuado e o dono precisará apresentar esclarecimentos em até dez dias, após o recebimento do ofício. Caso não o faça, ele poderá ser multado.

Para Silva, é “desumano” cobrar pelo item que está substituindo a carne para as famílias brasileiras durante a crise econômica.

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O aumento drástico no preço da carne bovina fez com que o consumo caísse vertiginosamente em todo o Brasil. Em Santa Catarina, o item é o mais caro da cesta básica, com aumento de 30,5% no último ano.

De acordo com a nota divulgada pelo Procon, é recomendado que as empresas doem os ossos em vez de cobrar por eles, “a fim de que tal prática não venha a ser interpretada como afronta à legislação consumerista”.

"Sempre vendi (osso), mas aumentou. Quando vem uma pessoa necessitada, eu ainda faço a doação", contou ao G1 o comerciante, que sofre com a queda no número de clientes.

“Desde a pandemia, caiu muito o movimento. As pessoas não estão mais comprando a carne aqui.”

Alta no preço da carne

Em 12 meses, a carne vermelha acumula alta de 30,7%, o que fez com que o consumo do alimento caísse 14% em 2021. Este é o menor nível de consumo de carne bovina no Brasil em 26 anos.

Por conta dos preços elevados, famílias de baixa renda têm procurado substitutos para o alimento, optando por pé, pescoço e miolos de galinha. No Rio de Janeiro, um caminhão com restos de carne e ossos virou ponto de distribuição para moradores que têm fome.

Para os próximos meses, os economistas preveem que o preço da carne deve permanecer elevado, bem como o das aves e ovos.

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