Como manter a sanidade em um país que bota até ossos à venda?

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A demonstrator takes part in a protest against Brazil's President Jair Bolsonaro and his handling of the coronavirus disease (COVID-19) crisis, in Brasilia, Brazil, January 31, 2021. REUTERS/Ueslei Marcelino     TPX IMAGES OF THE DAY
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Desenganado, o paciente teria seus equipamentos desligados e receberia uma bomba de morfina antes de morrer. Não fosse sua família, que se insurgiu e ameaçou acionar a Justiça, Tadeu Frederico Andrade seria uma das muitas vítimas de uma política criminosa do plano de saúde agora investigado. Hoje ele está vivo para contar sua história para a CPI da Covid.

Em Florianópolis, um açougueiro mandou avisar os pedintes que ali o osso bovino não estava ali para caridade. Quem quisesse levar poderia pagar R$ 4 o quilo. A repercussão foi tanta que o Procon pediu medidas. O cartaz foi tirado da loja. Não sem protesto.

Também em Santa Catarina, o Tribunal de Justiça do estado ignorou os indícios apontados nas investigações e exames de corpo de delito e absolveu por unanimidade um empresário de 44 anos, filho de uma família abastada, acusado de dopar e estuprar uma promotora de eventos —que havia sido humilhada pela defesa em uma sessão na Justiça. Ele alega que não sabia que ela não estava em condições para ficar de pé.

No Rio, provavelmente com medo de represálias da milícia, uma babá mudou pela terceira vez a sua versão sobre as circunstâncias da morte de uma criança de quatro anos. O padrasto, um vereador supostamente ligado a grupos de execução, é o principal suspeito do crime.

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Na mesma cidade, a Polícia Civil divulgou imagens da coleção de armas, munições, fotos de Adolf Hitler, trajes, insígnias e fardas do regime nazista guardadas na casa em um condominio de um homem de 58 anos acusado de pedofilia. Ele também guardava fotos de jovens menores de idade.

Em Brasília, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão no endereço de uma mulher de 45 anos acusada de passar informações sigilosas do Supremo Tribunal Federal a um blogueiro investigado por espalhar fake news e endossar os chamados atos antidemocráticos. Ela trabalhava como estagiária de um dos ministros da Corte. Ambos eram alunos de Olavo de Carvalho.

Aprendiz do mesmo autonomeado filósofo, Jair Bolsonaro vetou a distribuição gratuita de absorventes prevista em um projeto de lei aprovado em setembro pelo Congresso, que beneficiaria estudantes de baixa renda, mulheres em situação de rua e presidiárias. A justificativa do presidente que despreza mulheres é que os gastos violariam a Lei de Responsabilidade Fiscal.

No dia em que o país registrou a menor média móvel de mortes por covid desde novembro de 2020, graças ao avanço do programa de vacinação, o mesmo presidente achou por bem voltar a tocar o disco riscado e atacar, novamente, a própria política de imunização dos compatriotas. “Por que vacina?”, perguntou o chefe de estado contrariado com a aplicação de doses em jovens de 20 anos.

Parecem sinopses de um filme de terror, mas os parágrafos acima são apenas registros de um mesmo dia, em um mesmo país.

Boa sorte para quem conseguir respirar fundo e atravessar o fim de semana com algum otimismo. O meu anda mais baixo do que o sistema de abastecimento de água —que em casa já é cortado três vezes por semana, com viés de alta.

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