Rússia nega envio de tropas à Ucrânia em meio à crescente tensão

Por Ania TSOUKANOVA y Pierre-Henry DESHAYES
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Caminhão com artilharia pesada atravessa a principal estrada de Donetsk

Moscou negou novamente nesta quinta-feira que tenha tropas no leste separatista da Ucrânia, após a Otan confirmar a chegada de soldados russos à região, onde a tensão é crescente.

"Uma resposta curta: não" - declarou o porta-voz do ministério russo das Relações Exteriores, Alexandre Lukashevich, quando foi perguntado sobre a presença de militares russos na Ucrânia.

"Digo a todos, de forma categórica e oficial, que não há ou houve tropas ou movimento de tropas (russas) na fronteira. Não é possível falar da presença de tropas no território ucraniano".

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, disse estar muito preocupado com "a chegada em massa de tropas e armamento pesado procedentes da Rússia", em conversa por telefone com seu homólogo finlandês.

"Segundo nossas estimativas, há atualmente 8.000 soldados russos, talvez mais, em nosso território", disse à AFP um alto oficial ucraniano que pediu para não ser identificado.

A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), que tem observadores na zona, confirmou a chegada de material militar, e a Otan informou na quarta-feira que trata-se de reforço russo.

A porta-voz do departamento americano de Estado Jen Psaki destacou na véspera que os Estados Unidos "continuam trabalhando" com a União Europeia visando instaurar novas sanções contra a Rússia por seu "comportamento inaceitável".

O governo em Kiev e os ocidentais acusam a Rússia pelo agravamento do conflito no leste da Ucrânia, onde já morreram mais de 4 mil pessoas desde abril. O cessar-fogo decretado em setembro foi violado em várias oportunidades.

"Nos últimos dois dias, observamos a mesma coisa que a OSCE. Vimos colunas de equipamento russo, tanques russos, sistemas de defesa antiaérea russos, artilharia russa e tropas de combate russas entrando na Ucrânia", afirmou o comandante-em-chefe da Otan (Aliança Atlântica), Philip Breedlov.

Na terça-feira, a OSCE alertou para o "aumento do nível de violência no leste da Ucrânia e para o crescente risco de uma nova escalada" na região.

Jens Anders Toyberg-Frandzeno, assistente do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, revelou na quarta-feira que a organização está "profundamente preocupada com a possibilidade de que haja uma guerra total" na Ucrânia.

A Ucrânia afirma que está preparada para o combate contra as tropas russas e as forças separatistas que reforçam suas posições no leste do país.

"Observamos um reforço dos grupos terroristas (como o governo russo chama os rebeldes) e de parte da Rússia. Observamos seus movimentos, sabemos onde se encontram", afirmou o ministro ucraniano da Defesa, Stepan Poltorak, em uma reunião de governo.

"Nossa tarefa principal é nos prepararmos para o combate", acrescentou.

Nas últimas 24 horas, os combates mataram quatro soldados ucranianos e deixaram 18 feridos, segundo as autoridades de Kiev.

"A situação no leste continua sendo tensa. Nas últimas 24 horas, os criminosos atiraram 44 vezes contra posições ucranianas, sobretudo contra uma base nas proximidades do aeroporto de Donetsk, epicentro dos combates violentos".

Na cidade de Donetsk, principal reduto separatista, várias explosões foram ouvidas na quarta-feira à noite. Os insurgentes afirmaram que eram bombardeios ucranianos contra um bairro próximo ao aeroporto.

Os tiroteios prosseguiam durante a manhã na mesma região.