Otan reforça dispositivo no Iraque e continuará consultas sobre presença no Afeganistão

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O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg

Os ministros da Defesa da Otan concordaram em reforçar sua presença militar no Iraque, mas, após dois dias de videoconferências, não adotaram uma "decisão final" sobre a presença no Afeganistão, anunciou o secretário-geral do bloco, Jens Stoltenberg.

"Nesta fase, não tomamos uma decisão final sobre o futuro da nossa presença [no Afeganistão] (...) Os aliados da Otan continuarão as consultas e coordenação nas próximas semanas", disse Stoltenberg ao final das reuniões.

Por força de um acordo de paz selado entre os Estados Unidos e o Talibã, os contingentes militares sob comando da aliança devem se retirar do Afeganistão até 1° de maio de 2021.

Segundo Stoltenberg, nos dois dias de videoconferências, os ministros tiveram uma "discussão profunda" sobre a presença militar no Afeganistão.

Nesse país, segundo Stoltenberg, os aliados enfrentam "numerosos dilemas e não há opções fáceis".

Em uma entrevista coletiva, ele disse que o processo de paz em andamento no Afeganistão é a "melhor oportunidade" disponível para encerrar "anos de sofrimento e violência".

"Mas as negociações são frágeis e o progresso é muito lento", acrescentou.

- Energizar o processo de paz -

Por esta razão, Stoltenberg destacou que é "imperativo energizar o processo de paz" e todas as partes devem "aproveitar esta oportunidade histórica" para uma solução para o conflito sem fim.

Mas para levar adiante o acordo de paz e cumprir seus prazos, "o Talibã deve negociar de boa fé, reduzir os níveis de violência e cumprir seu compromisso de interromper a cooperação com grupos terroristas internacionais", ressaltou.

O chefe da Otan admitiu que a presença de tropas no Afeganistão depois de 1º de maio os exporia a novos ataques, mas uma partida prematura jogaria fora anos de esforços para evitar que o Afeganistão se torne um santuário para grupos radicais.

"A proteção de nossas tropas é essencial e tomaremos todas as medidas necessárias para garantir que estejam seguras", disse ele.

A presença ocidental no Afeganistão já dura 20 anos, embora seu contingente tenha passado de cerca de 130.000 militares em operações de combate para um nível atual de cerca de 9.600, incluindo 2.500 americanos.

No geral, essa presença agora se concentra no treinamento das forças armadas afegãs.

- Reforço no Iraque -

Em contrapartida, os ministros decidiram fortalecer a presença no Iraque.

"Decidimos expandir as missões de treinamento da Otan no Iraque (...) O tamanho da missão aumentará de cerca de 500 pessoas para cerca de 4.000", disse Stoltenberg.

Ele enfatizou que a aliança visa "apoiar as forças iraquianas em sua luta contra o terrorismo" e os esforços para garantir que o grupo radical Estado Islâmico (EI) "não volte".

Esta expansão da presença da Otan ocorre "a pedido do governo iraquiano", disse Stoltenberg, e será realizada "com total respeito pela soberania e integridade territorial do Iraque".

Essas videoconferências foram a primeira oportunidade para os ministros europeus terem um diálogo com o novo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin.

Durante o governo do ex-presidente Donald Trump, as relações entre os Estados Unidos e a Otan atingiram picos de tensão sem precedentes, exacerbados quando Washington anunciou uma redução de suas tropas no Afeganistão sem consultar seus aliados.

Antes das videoconferências desta semana, porém, Austin já havia antecipado que, com o novo governo, Washington pretendia "revitalizar" seu compromisso com a aliança militar.

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