OTAN restringe publicação de dados de ataques talibãs no Afeganistão

(Da dir. para esq.) O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani; o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg; e o secretário da Defesa dos EUA, Mark Esper, em 29 de fevereiro de 2020, em Cabul

Liderada pelos Estados Unidos, a missão da OTAN no Afeganistão não publica mais os números dos ataques cometidos pelos talibãs - lamentou um relatório oficial dos Estados Unidos na sexta-feira (30).

Segundo o mesmo documento, a medida dificultará o acompanhamento da evolução do conflito no momento em que Washington reduz sua presença militar.

"Neste trimestre, o RS ['Resolute Support', o nome desta missão] restringiu pela primeira vez a divulgação pública de todos os dados sobre ataques lançados pelo inimigo", observa o Escritório do Inspetor Geral Especial para a Reconstrução do Afeganistão (Sigar, subordinado ao Congresso).

Os relatórios do Sigar são, em geral, muito críticos.

Esses números eram "um dos últimos parâmetros que o Sigar podia usar para explicar publicamente a situação de segurança no Afeganistão", acrescenta o órgão.

Em 2018, o Pentágono já havia proibido o Sigar de divulgar o número de distritos controlados por rebeldes e a proporção da população afegã que está mais ou menos sob sua autoridade. Também proibiu a divulgação do fato de o governo afegão ter perdido o controle sobre parte do território.

Cabul também havia pedido para classificar os mortos nas fileiras de suas forças de segurança, outro indicador importante.

A nova restrição de informações ocorre após os Estados Unidos terem assinado um acordo com os talibãs em fevereiro passado. Nele, prometem retirar todas as tropas estrangeiras do país dentro de 14 meses em troca de vagas garantias dos insurgentes. Entre elas, a abertura de negociações com Cabul.

Washington conseguiu impor uma trégua de nove dias aos rebeldes quando o acordo foi assinado, mas a violência foi retomada alguns dias depois, uma tendência descrita como "preocupante" pela ONU na última segunda-feira.

"Entre 1º de março e 31 de março, os talibãs se abstiveram de atacar as forças da coalizão, mas os ataques às forças afegãs aumentaram para níveis superiores aos padrões sazonais", afirmou o RS, conforme o relatório.

Os Estados Unidos, que querem acabar com a guerra mais longa de sua história, chegaram ao Afeganistão à frente de uma coalizão internacional no final de 2001, após os ataques do 11 de Setembro. O governo americano tirou os talibãs do poder, mas nunca conseguiu derrotá-los no terreno.

Após mais de 18 anos de guerra, o presidente Donald Trump insiste em querer repatriar todas as tropas americanas o mais rápido possível.