Otan se defende de críticas de 'morte cerebral'

Por Toni CERDÀ
Localização dos 29 países-membros da Otan

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, alertou nesta terça-feira que a União Europeia (UE) não pode substituir a Aliança, em resposta às críticas do presidente francês, Emmanuel Macron.

Quando a Aliança se prepara para comemorar seu 70º aniversário com uma cúpula de líderes em dezembro, em Londres, Macron chocou seus aliados ao afirmar que a Otan estava com "morte cerebral", em clara defesa da soberania europeia em termos de defesa.

"Vou a Paris na próxima semana com a intenção de discutir essas questões com o presidente Macron", anunciou Stoltenberg em entrevista coletiva, afirmando que essa é "a melhor maneira de lidar com as diferenças" e "entender completamente as mensagens e motivações" do líder francês.

Acostumados às críticas do presidente Donald Trump a seus aliados por não terem gasto, na opinião dos Estados Unidos, o suficiente em defesa, os sócios da Otan receberam as declarações de uma de suas três potências nucleares como um balde de água fria.

A Alemanha, em uma primeira reação, descreveu a declaração de Macron como "radical", enquanto os aliados do Leste Europeu, na fronteira com a Rússia, receberam com surpresa ante uma possível aproximação com Moscou.

Fontes aliadas garantem que as palavras do presidente francês não são acidentais e, embora critiquem o tom, reconhecem sua análise que, baseada na situação na Síria, explica os desafios que a organização transatlântica enfrenta.

A Turquia, membro da Otan, lançou uma ofensiva na Síria, "uma área em que nossos interesses estão em jogo" e "não há coordenação na tomada de decisões estratégicas entre os Estados Unidos e seus aliados", afirmou Macron.

As palavras de Macron parecem ter aplacado as críticas dos Estados Unidos em relação à Aliança.

"A Otan é absolutamente essencial. Juntos somos mais fortes", disse o embaixador americano Kay Bailey Hutchinson, rejeitando "firmemente a avaliação" do presidente francês.