Sem citar Bolsonaro, ex-porta-voz diz que poder "inebria, corrompe e destrói"

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Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images
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Sem citar diretamente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ex-porta-voz da Presidência Otávio Rêgo Barros afirmou, em artigo publicado no "Correio Braziliense" nesta terça-feira (27), que o poder “inebria, corrompe e destrói". O general também critica auxiliares do mandatário que agem como “seguidores subservientes".

Em entrevista recente à TV Globo, Rêgo Barros lamentou não ter tido autoridade para repreender Bolsonaro por suas falas polêmicas que geravam repercussões negativas em todo o país.

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Em seu artigo, Rêgo Barros critica os “líderes atuais” que parecem iludidos pelos comentários dos “seguidores de ocasião” que o cercam.

“Os líderes atuais, após alcançarem suas vitórias nos coliseus eleitorais, são tragados pelos comentários babosos dos que o cercam ou pelas demonstrações alucinadas de seguidores de ocasião”, escreveu o ex-porta-voz do presidente.

Em retórica elaborada, Rêgo Barros cita os efeitos negativos dos “aduladores”, que podem afetar o “senso de realidade” de alguns. Constantemente, Bolsonaro é acusado de dar declarações negacionistas, portanto, distantes da realidade do país. O presidente inclusive reafirmou diversas vezes que o Brasil lidou muito bem com a pandemia do novo coronavírus.

“O escravo se coloca ao lado do galardoado chefe, o faz recordar-se de sua natureza humana. A ovação de autoridades, de gente crédula e de muitos aduladores, poderá toldar-lhe o senso de realidade. Infelizmente, nos deparamos hoje com posturas que ofendem àqueles (sic) costumes romanos”, escreveu o general.

O ex-porta-voz lamenta também que as promessas durante a campanha eleitoral sejam “meras peças publicitárias". Recentemente, Bolsonaro tem sido criticado por sua gestão ter se desviado do combate à corrupção, uma das pautas mais recorrentes de sua campanha eleitoral.

“É doloroso perceber que os projetos apresentados nas campanhas eleitorais, com vistas a convencer-nos a depositar nosso voto nas urnas eletrônicas, são meras peças publicitárias, talhadas para aquele momento. Valem tanto quanto uma nota de sete reais. Tão logo o mandato se inicia, aqueles planos são paulatinamente esquecidos diante das dificuldades políticas por implementá-los ou mesmo por outros mesquinhos interesses”, escreveu Rêgo Barros em possível referência ao ex-chefe.