Ouça áudios de coiote ameaçando imigrante ilegal que atravessou fronteira dos EUA e não pagou a conta de US$ 20 mil

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Em áudios obtidos com exclusividade pelo GLOBO, coiote cobra um dos brasileiros, que foram atravessados por ele pela fronteira entre México e EUA. O homem, que aceitou fazer a travessia ilegal, vem sendo perseguido pelo agenciador porque não conseguiu o dinheiro para pagar pelo serviço. Em geral, os pagamentos começam a ser feitos depois que o imigrante ilegal já está em solo americano e trabalhando em atividades, normalmente, a partir de indicações do próprio grupo criminoso. Na gravação, o coiote exige o pagamento, que está atrasado, e ameaça "ir até o infermo para receber o valor combinado".

Normalmente, os imigrantes ilegais, através de uma rede que funciona no boca a boca e por whatsapp, conseguem integrar as caravanas que partem do México sem gastar nada. Mas o serviço tem custo: entre US$ 18 mil e R$ 25 mil, que serão pagos muitas vezes de forma parcelada. No caso do imigrante que sofre ameaçadas, o pagamento seria de US$ 18 mil à vista ou US$ 20 mil em parcelas, com uma entrada de US$ 10 mil. Muitas vezes, os brasileiros que usam o esquema para deixar o país se veem em situação financeira difícil porque nem sempre os empregos que conseguem são suficientes para eles manterem o custo da vida fora do Brasil e também pagar os atravessadores.

No áudio, o coiote diz que está com promissória em aberto e que já está devendo no México, o que estaria lhe acarretando problemas e até risco de morte:

- A conta está aqui, já tirei uma foto da conta de vocês, mandei para vocês aí. O trato era para pagar 18 mil dólares à vista e vinte, em dez à vista e dez parcelado. Foi dez do cinco, dez do seis, dez do sete, dez do oito e dez do nove, certo? O único dinheiro que foi passado foi mil dólares - diz o agenciador, irritado. - Vocês têm que resolver entre vocês aí, porque a conta está aqui, a promissória está aqui e, a partir de hoje, estou pagando 10% de juros na mão de agiota (....) Devo nas agências, meu cartão de crédito está estourado. No México estou devendo para o pessoal aqui e até ameaçado de morte eu estou sendo. Então, esse tipo de coisa não funciona assim. As pessoas que eu levo, todo mês, estão pagando. Tem gente que chegou dentro dos EUA um mês depois de vocês e já pagou três parcelas. Então, vocês têm um rolo entre vocês aí, meu dinheiro eu quero. Nem que precisar ir no inferno buscar ele eu vou buscar ele.

Na semana passada, a brasileira Lenilda Oliveria dos Santos, de 49 anos, morreu no deserto quando tentava atravessar a fronteira entre México e EUA. A técnica de enfermagem foi abondonada pelo grupo que seguia com ela pelo deserto e, provavelmente, morreu de fome e sede. Ao longo do trajeto, ela foi contando para a família sobre sua situação e o desespero de se ver sozinha na travessia. A família pediu que a polícia fosse acionada quando ela parou de se comunicar. Lenilda deixou duas filhas, uma dela grávida.

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