'Ouçam música', pede Omara Portuondo ao mundo em quarentena

Uma diva não nasceu para ser confinada. Mas a pandemia força Omara Portuondo a ficar em casa e a refugiar-se na música. Quando tudo acabar, ela espera viajar pelo mundo com um novo álbum, depois de completar 90 anos em outubro.

É uma tarde de quinta-feira. A voz gloriosa do "Buena Vista Social Club" repousa em sua cadeira. Ela usa um cachecol de tons verde limão e turquesa no cabelo e uma camisola branca fresca. Se prepara para descansar em sua casa em Havana, Cuba, uma terra de longevidade. Mas antes, conta como está gerenciando o confinamento forçado pelo novo coronavírus.

Do que você mais sente falta do mundo 'normal'?

Sinto falta dos shows, gosto de trabalhar. Meu trabalho é muito importante, parece que nasci para fazer isso, cantar. Canto, as pessoas gostam e eu também. Gosto muito de ir ao calçadão (em Havana), sentar no calçadão, passear (...) espero que (a pandemia) passe, como passam todas as coisas, que deixe de existir já.

O que você recomenda para aqueles que estão na terceira idade, para que levem com tranquilidade esse confinamento?

Na terceira idade, ou na segunda, ou na primeira, ou em qualquer uma, a música . A música está em mim, céu, terra, mar e sol, alegria e razão (canta). Com algumas notas, as pessoas ficam felizes, a música é muito importante para se viver. Ouça música, não fique sozinho, trancado, procure música, rádio, o que for, mas algo que tenha som e musicalidade é importante.

O que você fará quando tudo passar?

Não posso decidir pela natureza, quem se impõe é a natureza. Tudo tem seu tempo ... Façam o melhor que puderem, se cuidem durante essa enfermidade tremenda.