Outra postura: compare a fala de Bolsonaro nos atos do 7 de setembro com a nota de recuo

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RIO — A carta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) divulgada na quinta-feira, em que atribuiu ao "calor do momento" os xingamentos e ameaças que fez contra o Supremo Tribunal Federal (STF), mostram uma postura oposta ao que mandatário adotou durante os atos antidemocráticos convocados por ele para o dia 7 de Setembro. Na nota, o governante diz que nunca teve "a intenção de agredir quaiquer Poderes" e que suas "palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum". Durante as manifestações, no entanto, Bolsonaro chamou o ministro do Supremo Alexandre de Moraes de "canalha" e disse que não respeitaria mais suas determinações.

Compare a fala do presidente nas manifestações com a nota de recuo:

"1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar."

"Nós também não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica da região dos três Poderes continue barbarizando nossa população. (...) Ou o chefe desse Poder vai sofrer aquilo que não queremos".

"2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das Fake News.

"Não podemos mais admitir que pessoas que agem dessa maneira continue no poder exercendo cargos importantes".

"3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder não têm o direito de "esticar a corda", a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia."

"Dizer a vocês que, qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, este presidente não mais cumprirá".

"4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum".

"Dizer a esse indivíduo que ele tem tempo ainda para e redimir. Tem tempo ainda para arquivar seus inquéritos. Ou melhor, acabou o tempo dele. Sai, Alexandre de Moraes".

"5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do ministro Alexandre de Moraes".

"Deixa de ser canalha".

"6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previstos no Art 5º da Constituição Federal.

"Não podemos mais admitir que pessoas que agem dessa maneira continuem no poder exercendo cargos importantes".

"9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles".

"A paciência do nosso povo já se esgotou, ele tem tempo ainda de pedir o seu boné e ir cuidar da sua vida. Ele, para nós, não existe mais".

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