Outro caso suspeito da variante do Reino Unido é investigado

Lucas Altino e Vera Araújo
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RIO - Após a confirmação de cinco pacientes infectados com as variantes de Manaus e do Reino Unido no Rio, as autoridades começaram a fazer o rastreio da contaminação, na tentativa de evitar que o vírus se alastre. O trabalho não tem sido fácil. Na tarde de ontem, equipes das Vigilâncias Sanitárias do estado e de Nova Friburgo estiveram na casa de uma família, na cidade da Região Serrana, que, num primeiro momento, havia se negado a passar dados sobre um parente doente.

Os técnicos só chegaram ao morador de Friburgo porque uma mulher de 36 anos, diagnosticada com a variante inglesa, disse que esteve numa reunião na casa desse homem, no dia 17 de janeiro. Segundo o secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves, se não houvesse colaboração, o Ministério Público e a Defensoria Pública seriam acionados:

— A Secretaria estadual de Saúde e as Vigilâncias Sanitárias municipais estão fazendo sua parte. Se as pessoas não colaborarem deliberadamente, acionaremos os órgãos de controle para que elas sejam obrigadas. Trata-se de caso de Saúde Pública.

Ontem, as equipes conseguiram convencer a família de Friburgo a, finalmente, cooperar. Está sendo investigado se esse homem teria passado a doença para a mulher de 36 anos, que mora no bairro da Freguesia, na capital. Ele estava com sintomas no dia da reunião familiar, mas só fez o teste que detectou a Covid-19 no dia seguinte. Os dois já estão curados. A Vigilância Sanitária quer, agora, que ele faça um exame de sequenciamento genético para saber se foi contaminado pela mesma cepa. Ambos disseram que não viajaram e não estiveram com ninguém que tenha vindo do Reino Unido.

Amparo legal

Ariane Angioletti, advogada especialista em direito médico, explica que há amparo legal para exigir informações de pacientes nesse caso. A Constituição Federal, segundo ela, coloca o direito coletivo sobre o individual como princípio, o que se justifica, no contexto de pandemia, a adoção de medidas que protejam a sociedade. Ela lembra ainda artigos do Código Penal e a Lei 13.979 sobre esse tipo de intervenção:

— É possível, sim, obrigar essas pessoas a cooperarem. Elas estariam negando informações fundamentais a medidas mitigadoras do impacto da nova cepa.

Se comprovada a contaminação do morador de Friburgo, ele será o sexto paciente a ter a infecção por uma nova cepa confirmada no estado. Um dos casos é o da mulher da Freguesia. O morador de Belford Roxo Adilson Cardoso de Jesus, de 55 anos, morreu no último dia 5. Ontem, um homem de 46 anos, transferido de Manaus para o Hospital dos Servidores, também não resistiu. As demais ocorrências são de um homem de 40 anos, de Laranjeiras, e outro de 30 anos, de Copacabana.