Outro venezuelano morre ao cruzar fronteira entre Bolívia e Chile

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Foto tirada em 17 de fevereiro de 2021 do migrante venezuelano Rubi Alexander G. (E) e amigos caminhando em baixas temperaturas noturnas ao longo da rodovia que liga Colchane a Iquique, no Chile, após cruzar a Bolívia, em Huara

Um cidadão venezuelano morreu ao tentar entrar no Chile pela Bolívia de maneira irregular próximo à cidade fronteiriça de Colchane, em Tarapacá, uma região remota e fria que tem sofrido com a imigração clandestina, informaram nesta segunda-feira (23) as autoridades locais.

O venezuelano Edgar Molina, de 56 anos, morreu após perder o conhecimento quando cruzava ao lado da esposa o inóspito altiplano, a mais de 3.600 metros de altitude, da Bolívia rumo ao Chile por uma passagem clandestina.

Molina se tornou o 11º imigrante a morrer em 2021 ao tentar entrar no Chile irregularmente por Colchane, uma pequena cidade de cerca de 2.000 habitantes a 3.650 metros de altitude e que ganhou notoriedade ao sofrer com a chegada de milhares de imigrantes.

“Mais uma vez, lamento a décima primeira morte de um imigrante venezuelano nessas circunstâncias em Colchane”, declarou Javier García, prefeito da cidade, em um vídeo gravado ao qual a AFP teve acesso.

A morte de Molina ocorre em meio a um aumento no número de imigrantes nesta passagem para o Chile, onde entram clandestinamente porque o país fechou as fronteiras para todos aqueles que não são chilenos ou residentes. Além disso, no caso dos venezuelanos, o Chile exige visto.

Só em agosto, 331 estrangeiros, 260 deles venezuelanos, estiveram em Colchane. Os demais são de nacionalidade boliviana, peruana e colombiana, especificaram as autoridades.

As autoridades afirmam que em sua passagem pelo altiplano, os imigrantes são vítimas de gangues dedicadas ao tráfico de pessoas que cobram pelo menos 200 dólares para ingressá-los ilegalmente no país e depois levá-los pelos quase 2.000 km até Santiago, destino final da maioria dos viajantes.

O governador da região de Tarapacá, José Miguel Carvajal, indicou que esta zona do norte do país enfrenta "uma crise migratória" devido ao "descaso cometido pelo governo central" no seu plano de conter a imigração irregular.

No âmbito deste plano, o governo chileno realizou diversos processos de expulsão de dezenas de imigrantes venezuelanos e colombianos que chegaram ao Chile por via clandestina, o que tem sido criticado por organizações de direitos humanos e pela ONU.

A maioria desses imigrantes são venezuelanos, que fogem da crise de seu país agravada pela pandemia. Em menos de sete anos, os venezuelanos se tornaram a maior colônia estrangeira no Chile, com mais de 455.000 pessoas registradas.

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