Outros países tentam alcançar liderança do Brasil em energias renováveis, diz CEO da Honeywell PMT

Reconhecido como líder em geração de energias renováveis pela Organizações das Nações Unidas (ONU), o Brasil está sendo observado de perto por outros países em relação a esse tema, avalia o Vimal Kapur, CEO da Honeywell Materiais de Performance e Tecnologias (PMT), empresa que foca no desenvolvimento de materiais avançados, em tecnologias de processamento, soluções de automação e softwares para indústrias.

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Executivo americano de origem indiana, Kapur esteve no Brasil este mês para participar, em São Paulo, do evento Fórum Net Zero, promovido por sua companhia em parceria com a Amcham-SP, e o executivo falou com exclusividade ao Prática ESG.

-Muitos países e economias que não tem essa vantagem energética estão tentando entender e alcançar o Brasil, que tem uma presença muito boa no segmento. Mas acreditamos que o Brasil continuará na liderança de combustíveis renováveis muito porque todos os biocombustíveis foram criados no país- afirmou o executivo.

Presente no Brasil desde os anos 1950, a Honeywell fornece várias soluções para o setor de petróleo e gás, colaborando na produção de biocombustíveis, captura de carbono, softwares que permitem conservação energética, baterias de fluxo, entre outros incrementos. No país, a Petrobras é o maior cliente da companhia no segmento de PMT, que também atende empresas como Braskem e ECB Group.

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Por ser um grande produtor de etanol, o Brasil pode ser também estandarte na produção de combustível de aviação sustentável [SAF, na sigla em inglês]. O país teria potencial para produzir 9 bilhões de litros de biocombustíveis de aviação por ano, de acordo com um levantamento realizado no ano passado pela Roundtable on Sustainable Biomaterials, organização suíça que impulsiona o desenvolvimento sustentável. Por isso, de acordo com Kapur, o país tem as condições necessárias para aproveitar esse movimento:

-Acreditamos que a próxima onda será dos novos tipos de combustíveis sustentáveis como SAF, entre outros. Vemos a possibilidade de converter etanol para combustível de aviação, por exemplo, e o Brasil só tende a crescer nesse segmento.

No ano passado, a Honeywell assinou um contrato com o ECB Group para uma biorrefinaria que deve ser inaugurada em 2024, no Paraguai, e utilizar as soluções tecnológicas da multinacional para a conversão de óleo vegetal em SAF e diesel verde. A planta terá produção estimada de 20 mil barris por dia.

-Na América Latina, nosso maior desafio é a adoção das nossas tecnologias porque já temos muita tecnologia disponível, mas precisamos entender como elas podem impactar e criar projetos que as utilizem- disse Kapur.

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Até 2035, a empresa pretende neutralizar em nível global suas emissões de carbono, abarcando os escopos 1 e 2, referente a emissões de gases de efeito estufa próprios e de fontes de energia utilizada pela empresa.

Para levar o projeto de descarbonização também ao escopo 3, que se refere às emissões da cadeia de fornecimento, a Honeywell pretende intensificar investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Kapur sinaliza a necessidade de ampliação dos aportes.

-Estamos muito cientes de que os nossos investimentos em P&D [pesquisa e desenvolvimento], que irão ampliar nosso esforço de descarbonização, precisam aumentar - afirmou o executivo.

Atualmente, mais de 60% dos investimentos de P&D da companhia em nível global já utilizam critérios ESG para o desenvolvimento de novas soluções, que envolvem tanto a medição interna de emissões, como também a criação de produtos mais sustentáveis.

Em fevereiro, a companhia anunciou uma parceria com a AstraZeneca para a criação de um inalador para asma, mais conhecidas popularmente como “bombinhas”, que emite menos gases do efeito estufa. A maioria dos inaladores utiliza hidrofluorcarbonetos (HFC), que contribuem para o aquecimento global. Na tecnologia desenvolvida em conjunto com a Honeywell, que utiliza hidrofluorolefina (HFO), o potencial de aquecimento global é quase zero.

A utilização de HFO nas bombinhas e em outros produtos como espuma acústica, aparelhos de ar-condicionado e utensílios de higiene pessoal que usam aerossol podem evitar a liberação potencial de 250 milhões de toneladas de emissões de CO2 equivalente na atmosfera, segundo a Honeywell.

Para Kapur, processos de descarbonização não podem depender apenas do uso de matrizes renováveis de energia, mas de um conjunto de soluções, que envolvem pesquisa e inovação:

-Não existe uma solução mágica simplesmente porque temos fontes renováveis de energia. Claro, é uma grande parte da solução, mas nós precisamos reconhecer outros meios de captura de carbono.

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