As ovas de ouriço, o uni, viram tendência gastronômica do ano

Por fora, puro espeto. Por dentro, um creme aveludado. O espinhoso ouriço guarda ovas douradas e macias, consideradas um dos ingredientes mais festejados da gastronomia. Na pesquisa das grandes tendências deste ano divulgada pela empresa de previsão WGSN, o uni, como são chamadas as ovas de ouriço, estava lá. “Com o desejo de elevar o ordinário, os consumidores estão recorrendo a ingredientes de grande poder, como os embalados com umami, o quinto sabor, para tornar as refeições diárias dinâmicas, reduzir o sódio, fazer com que os alimentos à base de plantas proporcionem sabor e tragam um equilíbrio saboroso aos doces. O uni é reflexo desta busca”, analisa Mirela Dufrayer, líder de Marketing na WGSN América Latina. “Estamos vendo grandes chefs ao redor do mundo usando em seus menus, inclusive como destaque, caso do renomado dinamarquês René Redzepi, do Noma, que está abrindo um restaurante pop-up em Kyoto, no Japão, e destacou como o uni será uma parte fundamental do menu”.

Mirela destaca ainda a popularização da iguaria, antes exclusiva da alta gastronomia: “Estamos acompanhando o início da criação de produtos mais acessíveis, como manteigas, pastas e molhos”.

Por aqui, chefs que trabalham os frutos do mar adoram explorar o uni. Japoneses, como Haru, San e Casa Ueda, adoram. Assim como chefs que levam o ingrediente para preparos contemporâneos. Alberto Landgraf, do Oteque, é um deles. Usa há anos, como em seu prato clássico: cebola assada recheada com uni e creme de mexilhões. “Gosto muito de comida japonesa e o ouriço sempre esteve presente "nela. Busquei, então, trazer para a minha cozinha não oriental. Adoro o sabor adocicado combinado com uma salinidade. Fica equilibrado, é cremoso, tem uma textura única. Já fiz sorvete, desidratado, cru...”, lista Landgraf.