Overdoses fatais caem nos EUA pela primeira vez em décadas

A epidemia de opioides nos Estados Unidos se deve a uma prescrição excessiva de analgésicos que causam dependência

As overdoses fatais diminuíram 5,1% em 2018 nos Estados Unidos, dando lugar à primeira redução de mortes por esta causa em duas décadas, segundo dados oficiais preliminares publicados nesta quarta-feira.

A tendência se deve a uma importante diminuição nas mortes relacionadas com o consumo de analgésicos com receita.

"Os últimos dados provisórios sobre mortes por overdose mostram que os esforços dos Estados Unidos para frear o uso de opioides e o vício estão funcionando", disse o secretário de Saúde e Serviços Humanos, Alex Azar, embora tenha advertido que a epidemia não se solucionará da noite para o dia.

A cifra estimada de mortos caiu para 68.557 em 2018, em comparação com 72.224 no ano anterior, segundo dados publicados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Mas o número continua sendo muito mais alto que em 1999, quando foram registradas 16.849 mortes, uma cifra que não parou de crescer ano após ano até 2017, com um aumento considerável entre 2014 e 2017.

As mortes atribuídas a opioides naturais e semissintéticos - como morfina, codeína, oxicodona, hidrocodona, hidromorfona e oximorfona -, que são receitados como analgésicos, reduziram de 14.926 para 12.757 (14,5%).

Esta foi a queda mais significativa entre todas as categorias. Por outro lado, as mortes relacionadas com os opioides sintéticos - como tramadol e fentanil -, com exceção da metadona, continuaram aumentando consideravelmente e as mortes por cocaína também aumentaram ligeiramente.

A epidemia de opioides está enraizada nos Estados Unidos e é consequência de décadas de prescrição excessiva de analgésicos que causam dependência.

A crise causou cerca de 400.000 mortes por opioides receitados ou ilícitos, e inclui algumas vítimas de grande repercussão midiática, como o ícone pop Prince e o roqueiro Tom Petty.

Mas há alguns sinais de que a maré está começando a mudar, já que as autoridades federais e estatais começaram a enfrentar gigantes da droga nos tribunais por supostos subornos aos médicos para que receitassem seus medicamentos ou por uma comercialização enganosa que minimiza os riscos da dependência química.