OVNIs ou espionagem avançada? O que está por trás do relatório do Pentágono sobre objetos voadores

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RIO — O debate levantado diante da confirmação do Pentágono norte-americano acerca de objetos voadores não identificados (OVNIs), conforme revelou um documento obtido pelo "New York Times" em 3 de junho, é impulsionado pela expectativa da divulgação oficial do relatório, prevista para o próximo dia 25, sobre as análises de tais observações.

Se por um lado há falta de evidência que comprove existência de alienígenas, o fato de a vida extraterrestre também não ter sido descartada como origem dos OVNIs abre espaço para entusiastas que estimulam teorias mirabolantes. Esta é a interpretação do escritor Mick West, um dos nomes mais proeminentes no campo cético com relação aos OVNIs, com experiência em desmascarar vídeos de objetos aparentemente estranhos no céu.

— Eu acredito que as pessoas estão ficando animadas porque elas pensam que talvez haja evidência de alienígenas. Mas os oficiais que falam sobre o relatório já disseram que não haverá evidência de alienígenas, até mesmo na parte confidencial. Eles não podem descartá-los, mas é impossível descartá-los, então isso não significa nada — avaliou West em entrevista ao GLOBO.

Na sexta-feira, dia 11, ele publicou um artigo no jornal britânico "The Guardian" intitulado: "Eu estudo OVNIs — e não acredito no hype alienígena. Aqui está o porquê". Questionado pelo GLOBO sobre alguns vídeos que ele já analisou e comprovou que não mostravam OVNIs, West citou um caso no Chile classificado em 2017 como sem identificação.

— A força aérea chilena o investigou por dois anos, e declarou que seria um OVNI "genuíno". Eu, e outros, olhamos para ele por cerca de dois dias e descobrimos, em 100%, que era só um avião — contou o escritor a respeito da comprovação de que se tratava de um voo da Iberia saído de Santiago.

Com relação aos vídeos de três objetos não identificados pelo governo norte-americano no relatório — chamados de "Go Fast" e "Gimbal", ambos capturados por um jato na costa da Flórida em 2015, e "FLIR1", por um caça na costa de San Diego em 2004 — West atenuou o mistério que os cerca e jogou um balde de água fria nos entusiastas com sua interpretação.

— Eu não ouvi falar de qualquer vídeo que seja mais persuasivo do que os que foram divulgados agora. E esses vídeos todos mostraram-se bem menos interessantes do que originalmente esperado. "Go Fast" não vai rápido. A rotação no "Gimbal" é um artefato do sistema óptico da câmera e do sistema gimbal (daí o nome do arquivo). FLIR1/Nimitz/Tic-Tac parece com um avião distante, com o movimento apenas sendo da câmera se movendo.

Funcionários do governo dos EUA admitiram ao "New York Times" que sua maior preocupação é que a percepção de alta velocidade registrada em vídeo possa ser de aeronaves hipersônicas chinesas ou russas. Quanto a isso, o jornal britânico "The Telegraph" informou, no dia 4, que há temores crescentes em Washington de que Pequim e Moscou possam ter avanços tecnológicos até então desconhecidos por eles.

Para West, a análise dessas imagens é importante justamente no que tange à segurança dos EUA.

Uma vez que os objetos registrados nos vídeos não pertencem à nenhuma tecnologia já desenvolvida ou conhecida pelos norte-americanos, o fato de estarem ali presentes revela uma preocupação para os EUA caso sejam oriundos de outros países, como China ou Rússia, ainda que não haja uma comprovação precisa sobre sua origem até o momento.

— Eles (governo norte-americano) provavelmente de fato sabem mais (sobre OVNIs do que revelam ao público), entretanto o tópico de OVNIs abrange uma série de coisas diferentes. Inclusive todos os vídeos vazados mostram coisas diferentes. É um grande engano tratar "ONVIs" como uma única questão. Alguns objetos que não são identificados tornam-se assunto sério, como drones estrangeiros ou interferência de radar ou falhas — explicou.

Segundo publicação da "New York Magazine" de 7 de junho, a lei que determina a divulgação do relatório diz que é preciso mostrar se os vídeos representam qualquer ameaça potencial à segurança nacional e se eles podem ser “atribuídos a um ou mais adversários estrangeiros”, ou seja, se há qualquer indicação de que "um adversário em potencial pode ter alcançado capacidades aeroespaciais revolucionárias que poderiam colocar em risco as forças convencionais ou estratégicas dos Estados Unidos".

À revista "New Yorker" um ex-funcionário do Pentágono rebateu o ponto de vista cético de West, dizendo que ele "não sabe toda a história" e que "há dados que ele nunca verá".

"Se Mick West alimenta o estigma que permite que um adversário em potencial voe por todo o seu quintal, então, legal — só porque parece estranho, acho que vamos ignorar", afirmou para a reportagem publicada em 10 de maio deste ano. "Em algum momento, precisávamos apenas admitir que há coisas no céu que não podemos identificar".

O relatório, segundo o "New York Times", determina que a grande maioria dos mais de 120 incidentes nas últimas duas décadas não se originou de nenhuma ação do exército americano ou de outra tecnologia avançada do governo dos Estados Unidos, indicando que os vídeos não correspondem a programas que o governo pretendia manter em segredo.

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